Terça-feira, 04/08/26

Corte na ajuda internacional atinge maior queda já registrada em 2025

Corte na ajuda internacional atinge maior queda já registrada em 2025
Corte na ajuda internacional atinge maior queda já registrada em – Reprodução

O volume de ajuda internacional de países ricos para nações pobres, menos desenvolvidas e instituições multilaterais caiu 23,1% na passagem de 2024 para 2025, na maior redução já registrada. Segundo estudo do Brics Policy Center, o auxílio somou US$ 174,3 bilhões em 2025, uma queda real de US$ 52,4 bilhões em relação ao ano anterior.

Os dados integram o estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado por pesquisadores do centro vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com base em informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), ligado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento projeta ainda nova redução de 6,9% em 2026, o que configuraria o terceiro ano seguido de recuo e levaria o patamar da ajuda ao mesmo nível de 2014.

Entre os principais doadores, os Estados Unidos responderam pela maior parte da queda. O estudo mostra que o país cortou a ajuda internacional em mais da metade, com recuo de 56,9%, e foi responsável por 75,1% da diminuição total entre 2024 e 2025. França, Alemanha, Japão e Reino Unido também reduziram seus volumes de doação, repetindo o movimento pelo segundo ano consecutivo.

O relatório associa a queda americana ao início do novo mandato de Donald Trump e ao redirecionamento de recursos para outras áreas, como defesa e segurança energética. Nos EUA, os gastos com defesa subiram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões. Na União Europeia, o aumento foi de 11%, chegando a 381 bilhões de euros.

O estudo também aponta uma “retração seletiva” da ajuda internacional. Enquanto o financiamento ao sistema ONU caiu 27%, o maior recuo já registrado, o apoio ao Banco Mundial avançou 6,4% e aos bancos regionais de desenvolvimento, 11,9%. Para os pesquisadores, os governos doadores estão redefinindo quais tipos de engajamento multilateral consideram prioritários.

A Ucrânia aparece como prioridade estratégica de países europeus, apesar da queda global. Mesmo com redução de 91% da ajuda dos EUA ao país, ela foi a maior recebedora individual de toda a história da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, com R$ 44,9 bilhões, volume parcialmente compensado por 23 países. Instituições da União Europeia elevaram os envios em 65,2%.

Já a África Subsaariana foi a região mais afetada pela redução da ajuda dos países ricos. Em 2025, os recursos para a região caíram 23%, para US$ 29,2 bilhões. Para 2026, a projeção do estudo é de nova redução de 11,6%, o que representaria US$ 11,8 bilhões a menos.

Ao final, o levantamento defende que os recursos escassos sejam direcionados aos países mais pobres, especialmente os que dependem de poucos doadores, além de uma saída de financiamento considerada responsável e coordenada e de uma ajuda mais eficaz para gerar maior impacto no desenvolvimento.

Com informaões da Agência Brasil

T LB

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