Segunda-feira, 21/09/26

Crianças voltam às aulas presenciais em Gaza após quase três anos

Crianças voltam às aulas presenciais em Gaza após quase três anos
Crianças voltam às aulas presenciais em Gaza após quase três – Reprodução

Milhares de crianças em Gaza voltaram às aulas presenciais no sábado (20), pela primeira vez em quase três anos, em meio a um cenário de escolas danificadas, tendas e estruturas improvisadas. A retomada ocorre após a guerra ter destruído ou danificado 98% das escolas do território, segundo o Unicef.

Autoridades educacionais de Gaza afirmam que cerca de 660 mil alunos ficaram privados do ensino presencial e da participação regular na educação. A reabertura é descrita como um marco frágil após um conflito que, segundo Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental, matou cerca de 22 mil alunos e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores.

Para dar continuidade ao ano letivo de 2026-2027, o Ministério da Educação, com apoio de organizações internacionais e locais, criou dezenas de escolas temporárias feitas de barracas, lonas, chapas de metal e madeira. Parte dessas estruturas foi montada em solo arenoso; outras têm salas com apenas alguns colchões e um quadro, enquanto algumas também abrigam dezenas de famílias deslocadas.

Entre os estudantes que retornaram está Moayed Abu Mustafa, de Khan Younis, que afirmou estar determinado a aprender apesar das dificuldades, como estudar em uma barraca sem ventilação e sem material escolar básico. Samar Abu Salmi, aluna deslocada de 15 anos, disse que antes acompanhava as aulas pelos celulares e agora volta a estudar em uma escola improvisada, ainda sem grande parte dos itens essenciais.

Em outra escola, Yamen Abu Samra, de 14 anos, relatou medo de balas perdidas, foguetes e ataques ao chegar às aulas. Segundo autoridades da área de educação, ao menos 540 mil alunos devem frequentar aulas presenciais neste ano em escolas improvisadas, centros temporários e pontos educacionais com apoio do Unicef, enquanto o ensino a distância continuará para quem não puder comparecer ou tiver deixado Gaza durante a guerra.

No enclave, as forças israelenses continuam controlando mais de 60% do território, apesar do cessar-fogo do ano passado, que interrompeu os principais combates, mas não encerrou o conflito. As autoridades palestinas afirmam que mais de 73 mil pessoas foram mortas no ataque de Israel a Gaza, lançado depois que combatentes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1,2 mil pessoas no sul de Israel em outubro de 2023.

A retomada das aulas também expõe a dificuldade de acesso a material escolar. O comerciante Khaled Aliyan, de 30 anos, disse que as restrições de importação impostas por Israel reduziram o abastecimento e elevaram os preços, tornando mais caros itens como cadernos, que, segundo ele, passaram de 3 para 15 shekels. A agência militar israelense Cogat, responsável pelo acesso a Gaza, não respondeu ao pedido de comentário da Reuters sobre as restrições e os ataques a escolas.

T LB

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