Quinta-feira, 22/10/26

Cuba denuncia pressões “inéditas” dos EUA contra resolução da ONU sobre embargo

Cuba denuncia pressões “inéditas” dos EUA contra resolução da ONU sobre embargo
Cuba denuncia pressões “inéditas” dos EUA contra resolução da ONU – Reprodução

Cuba denunciou nesta quarta-feira (21) uma campanha de pressões “inéditas” de Washington sobre outros países para que retirem seu apoio a uma resolução cubana contra o embargo e o bloqueio petrolífero americano, que será submetida a votação na próxima semana na Assembleia Geral da ONU.

Durante uma coletiva de imprensa em Havana, o chanceler cubano Bruno Rodríguez exibiu um documento que, segundo ele, os Estados Unidos distribuíram às suas embaixadas para pressionar governos que tradicionalmente apoiam a resolução cubana, de caráter não vinculante, submetida a votação na ONU todos os anos desde 1992.

Segundo Rodríguez, as pressões incluem ameaças de imposição de tarifas, restrições de vistos a autoridades estrangeiras e seus familiares, além da retirada de apoio a governos ou do respaldo a forças de oposição nesses países.

“É um conjunto de métodos de verdadeira violência política, coerção e chantagem”, afirmou.

O chanceler denunciou que o Departamento de Estado americano chegou “ao cúmulo do ridículo” ao pedir a alguns países que se abstenham de votar ou deixem a sala durante a sessão prevista para 28 de outubro.

Este é o segundo ano consecutivo em que o governo do presidente Donald Trump realiza uma campanha para influenciar a votação da resolução da ONU, que costuma receber amplo apoio internacional.

Em 2025, a resolução recebeu 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, seu menor apoio em pelo menos uma década. Embora Havana tenha mantido uma ampla maioria, autoridades cubanas atribuíram a redução do apoio à campanha diplomática de Washington.

A resolução, que pede o fim do embargo imposto por Washington desde 1962, inclui desta vez uma referência às restrições ao fornecimento de combustível à ilha aplicadas pelos Estados Unidos desde janeiro.

Em outra tentativa de reduzir o apoio à resolução, os Estados Unidos organizaram na segunda-feira, na ONU, um painel com dissidentes e ex-presos políticos cubanos exilados, que denunciaram violações dos direitos humanos na ilha.

Rodríguez questionou a legitimidade dos participantes do evento e o classificou como “vergonhoso”.

T LB

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