A página Choquei e seu dono, Raphael Sousa Oliveira, preso pela Polícia Federal (PF) em 15 de abril por envolvimento em suposto esquema de lavagem de dinheiro usado na ocultação de R$ 1,6 bilhão, processaram o apresentador Danilo Gentili em fevereiro deste ano. A informação foi divulgada pela colunista do Metrópoles Fábia Oliveira nesta terça-feira (21).
Conforme apurado, o processo ocorreu com sucessivos ataques públicos do apresentador nas redes sociais. A página alega que as ofensas começaram em 2023 e nunca mais pararam. Ainda segundo a Choquei, Gentili mantém a relação da morte de Jéssica Canedo ao perfil.
Em dezembro de 2023, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investigou o perfil por suspeita de indução ao suicídio pela morte da jovem por divulgar mensagens falsas de um affair dela com o humorista Whindersson Nunes. Todavia, em março de 2024, a corporação concluiu que a jovem morreu após ingerir alta dosagem de medicamentos, dias depois dela mesma forjar mensagens com o famoso e divulgar um suposto relacionamento com ele para páginas de fofoca. À época, o delegado Felipe Oliveira informou que a garota criou três perfis falsos na internet, que originaram a notícia.
No processo, a página alega que o apresentador continua a acusá-la de assassinar Jéssica, além de incitar seu público a usar hashtags acusatórias do tema. A Choquei lembra, inclusive, a conclusão da polícia, que não a responsabilizou. Dessa forma, Gentili estaria cometendo o crime de calúnia.
A Choquei, então, pediu em liminar que Danilo retire 21 postagens em suas páginas oficiais e faça uma retratação. Em 15 de abril, data da prisão de Raphael, a Justiça negou a demanda. Entre os pedidos principais, que ainda serão analisados, os autores pedem R$ 100 mil de danos morais para a página e R$ 30 mil para seu fundador, além da remoção do material e retratação pública.
Quanto ao caso Jéssica, a jovem, que sofria de depressão e fazia tratamento, passou a sofrer ataques nas redes sociais quando foi noticiado o suposto relacionamento e acabou tirando a própria vida. Inclusive, a polícia conseguiu identificar a mensagem de uma moça de 18 anos, de Rio das Ostras (RJ), que sugeria a Jéssica o autoextermínio.
Apenas essa pessoa foi indiciada no caso. As páginas de fofoca, inclusive a Choquei, não foram responsabilizadas pela divulgação da notifica falsa.
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Relembre o caso Jéssica Canedo
Inicialmente, foi informado que Jéssica Canedo foi vítima de notícias falsas que a apontavam como um affair de Whindersson Nunes. Supostas capturas de conversas entre eles foram divulgadas por páginas de fofoca nas redes sociais, como a Choquei.
Antes da morte de Jéssica, Whindersson comentou em uma das postagens, dizendo que estavam usando a imagem do perfil dela de forma equivocada. A Polícia Civil de Minas Gerais disse que a morte ocorreu em 22 de dezembro.
À época, a página afirmou que não cometeu nenhuma irregularidade. “Todas as publicações foram feitas com base em dados disponíveis no momento e em estrito cumprimento das atividades habituais decorrentes do exercício do direito à informação”, disse sem especificar quais são os critérios das “atividades habituais”.
CPP
O empresário Raphael Sousa Oliveira, 31 anos, dono da página Choquei, foi transferido para a Casa de Prisão Provisória (CPP) em Aparecida de Goiânia na sexta-feira (17) e está no Núcleo Especial de Custódia. Conforme apurado pelo Mais Goiás, o local possui um controle mais rígido e é destinado a presos “midiáticos”.
Trata-se de um espaço especial dentro da CPP para preservar a integridade física do interno. O objetivo é evitar qualquer contato violento com outros detentos.
Apesar disso, a Diretoria-Geral de Polícia Penal informou, anteriormente, que ele segue o mesmo ritmo dos demais presos. Com isso, Raphael tem direito a quatro refeições por dia, sendo elas café da manhã, almoço, jantar e ceia. Trata-se do mesmo alimento de todos no complexo, inclusive servidores. Além disso, tem direito a 2 horas de banho de sol por dia.
Não foi informado se ele estaria isolado ou com outros internos. O influenciador foi preso na última quarta-feira (15) durante a Operação Narco Fluxo por envolvimento em suposto esquema de lavagem de dinheiro usado na ocultação de R$ 1,6 bilhão. Ele permaneceu sob custódia na sede da Polícia Federal até sexta-feira, quando houve a transferência.
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Em nota, a defesa dele informou que o vínculo de Raphael com os fatos investigados “decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital”, informou trecho do documento. “Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.” Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, que também representa o influenciador, ele não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.
A operação que mira o dono da Choquei é a mesma que prendeu os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo nesta quarta-feira. Mandados são cumpridos em Goiás e outros sete estados.
MC Ryan e o MC Poze do Rodo foram presos em Bertioga, no litoral paulista, e no Rio de Janeiro, respectivamente. Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
Manutenção da prisão
A situação jurídica do influenciador foi avaliada em audiência de custódia realizada na última quinta-feira (16). O Poder Judiciário decidiu pela manutenção da prisão, sob o entendimento de que a liberdade do investigado poderia comprometer a instrução do processo.
A magistratura reforçou que a influência digital de Raphael era um ativo valioso para a organização criminosa. Ao utilizar sua audiência para validar figuras ligadas ao esquema, ele ajudaria a construir uma “fachada” de legitimidade, dificultando a percepção das atividades ilícitas por parte do público e das autoridades.
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Sobre a operação
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet e cumpre 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos, em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Segundo a PF, profissionais do meio musical com milhares de seguidores nas redes sociais, criaram um sistema sofisticado e complexo para movimentar recursos ilícitos. Eles mesclavam as atividades artísticas de parte dos investigados com transferências de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, e operações bancárias de alto valor.








