Sexta-feira, 01/05/26

Dia de refletir sobre as condições de trabalho

Dia de refletir sobre as condições de trabalho
Dia de refletir sobre as condições de trabalho – Reprodução

O Distrito Federal fechou 2025 com a menor taxa de desemprego de sua história — recuando para 7,5%. Dados do IBGE apontam ainda que 63,3% da população em idade ativa está trabalhando, o maior índice desde 2012, quando a série histórica foi iniciada. Em apenas um ano, a cidade viu um salto de 3 pontos percentuais, consolidando 2025 como o ano de ouro para a empregabilidade no DF. O órgão vai trazer dados atualizados do primeiro trimestre de 2026 ainda neste mês de maio.

Os números apontam que o cenário atual é positivo no mercado de trabalho do DF, mas a realidade do trabalhador é de desafios constantes. Este feriado internacional é dedicado a celebrar as conquistas históricas, como a luta por jornadas de 8 horas em Chicago, em 1886. A data também convida a população a refletir sobre as pautas atuais relacionadas ao trabalhador. Neste dia, vale a reflexão sobre melhores condições de trabalho, qualificação e profissionalização, entre outros. O JBr foi às ruas ouvir os protagonistas desta data e conversou com um especialista em Direito do Trabalho para entender mais sobre o combate a escalas abusivas e a precarização de algumas profissões.

De acordo com o advogado trabalhista Max Kolbe, para que as políticas públicas auxiliem o trabalhador nos desafios do dia a dia, não basta a lei existir. Ele aponta que é preciso que o governo alinhe três itens fundamentais: regras claras, fiscalização de verdade e presença nos locais de trabalho. “Nesse contexto, a atuação integrada entre órgãos como o Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e a Auditoria Fiscal do Trabalho é essencial, sobretudo por meio de inspeções, termos de ajuste de conduta e ações civis públicas que forcem a internalização dessas políticas pelas empresas”, pontua.

Para Max, quando o Estado falha, o trabalhador não está desamparado e possui ferramentas para “ativar” seus direitos. Segundo ele, o cidadão pode provocar a fiscalização por meio de denúncias diretas na Auditoria Fiscal do Trabalho, no Ministério Público do Trabalho ou nos sindicatos de cada categoria. Ele cita que, para além das ações judiciais individuais ou coletivas, a participação em audiências públicas e conselhos também é uma forma de cobrar que as políticas saiam do papel. “O ordenamento jurídico brasileiro oferece múltiplos instrumentos, como o mandado de segurança, quando houver direito violado por falta de ação da administração pública”, destacou.

O especialista considera que a falta de informação do trabalhador quanto aos seus direitos, e as leis que o amparam, constitui um dos maiores obstáculos para que a norma funcione. Segundo o advogado, as empresas têm o dever ético e legal de informar e treinar seus funcionários sobre benefícios e condições de trabalho, enquanto os sindicatos precisam atuar de maneira pedagógica, com cursos e campanhas que ajudem na conscientização da categoria.

Impacto na rotina e saúde do trabalhador

Para o advogado, em Brasília, para além das leis trabalhistas, os trabalhadores enfrentam um desafio ligado à própria organização da capital que afeta o bolso e a saúde no dia a dia. Max considera que o planejamento urbano de Brasília e o tempo gasto no deslocamento entre a casa e o emprego têm um impacto “subestimado”, mas direto, na qualidade de vida. Ele afirma que a dificuldade de transporte e as longas distâncias dificultam a conciliação entre a vida profissional e pessoal, sendo um tema que deveria ser tratado em conjunto com os direitos do trabalho.

Uma questão atual que impacta diretamente na rotina e na saúde mental do trabalhador é a extinção da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga. Entretanto, segundo Max, a redução da jornada sem redução salarial implica, em termos econômicos, no aumento do custo da mão de obra, o que demanda uma reconfiguração do equilíbrio contratual. “Do ponto de vista constitucional, a jornada de trabalho é um direito social que admite flexibilização por meio de negociação coletiva, mas sempre respeitando limites mínimos.”

O advogado explica que a implementação de uma jornada reduzida exige alterações legislativas ou negociais que compatibilizem produtividade, sustentabilidade econômica das empresas e proteção ao trabalhador. O especialista afirma que, para setores que não podem parar, essa reorganização exige um planejamento complexo e, muitas vezes, a contratação de mais funcionários. O tema é extenso e, para ele, envolve não somente a área jurídica, mas também análise econômica e a coordenação de políticas públicas.

A qualificação profissional

Um dos desafios que o trabalhador enfrenta é a necessidade de buscar qualificação profissional e o equilíbrio com as obrigações profissionais e pessoais do dia a dia. Segundo o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-DF), Vitor Corrêa, fazer um curso de educação profissional é um convite para ingressar no mundo do trabalho com as suas variáveis, com as suas dificuldades, obstáculos e superações.

Para ele, essa é uma vivência muito importante para simular um ambiente profissional. “É assim que o SENAC trabalha. E os dados apontam, as pesquisas apontam números muito interessantes sobre as pessoas que fazem nossos cursos e a inserção no mercado de trabalho.” Segundo a instituição, a cada 100 pessoas que terminam um curso, 65 estão trabalhando ao final desta formação, que prepara para os desafios do mercado, fazendo com que o profissional já chegue nas empresas produzindo. Ele considera que a qualificação profissional é fundamental para o ganho de produtividade.

Quem faz a economia girar

Trabalhando no setor do comércio há mais de 50 anos, Enock José Alves Goes, de 71 anos, tem uma lanchonete na Asa Sul, onde é conhecido como “Bigode”. Ele ama o que faz e acredita que as pessoas têm que exercer uma profissão da qual gostem. “Se não gosta do que faz, não adianta. Tem que ter coragem para trabalhar com o comércio, senão, não funciona”, aconselhou.

Nesse ramo, ele viu muitos amigos tentarem seguir, mas observou que muitos não deram certo no segmento de serviços e comércio. Enock leva a profissão muito a sério e sua rotina é abrir e fechar a loja pontualmente. “Eu abro das 6 da manhã e fecho às 15 para as 8 da noite. Sábado, fecho a loja às 12 horas. Domingo eu venho para arrumar a loja, limpar, mas acabo atendendo o pessoal.” Ele não pensa muito em dias de descanso, está sempre na ativa atendendo o público. “Eu tenho uma boa clientela, não posso reclamar não”, finalizou.

Benedito Ricardo Aguiar, 62 anos, é cabeleireiro há 45 anos, uma profissão que ele gosta bastante. “Eu corto o cabelo, eu escovo, todo tipo de cabelo; tudo que precisar eu faço”, comentou. Com um bom tempo no setor de salão de beleza, Benedito afirma que tem uma clientela fiel e antiga. Para ele, não há pontos negativos na área em que atua. Ele trabalha de segunda-feira a sábado, mas faz questão de deixar o domingo para o bom descanso do trabalhador. “É bom parar para descansar e se divertir um pouco no domingo, senão, como que faz?”, questiona. Para Benedito, feriados como o do Dia do Trabalhador existem para dar essa pausa para quem tanto labuta.

Com o sonho de seguir a carreira trabalhando com o que ama, Giovanna Brandão, 22 anos, é estagiária em uma clínica de odontologia. “Sou estagiária há um bom tempo, estou na metade do curso, gosto bastante.” Como alguém que está no começo da carreira, ela acredita que o desafio é encarar todos os casos que aparecem, desde cuidar de pacientes crianças até idosos, ou casos mais complexos. “Mas eu adoro. Eu me identifico com essa área.”

Mesmo nova, Giovanna sabe da importância de o trabalhador conquistar seus direitos, como, por exemplo, o debate atual sobre a escala 6×1. “Eu já trabalhei nessa escala, mas no sábado era meio período. Hoje eu trabalho 5 por 2. Eu acho necessário o debate, apesar de que não tem muito o que fazer. A maioria dos empregos são assim.”

A recepcionista Rita Cerqueira, de 22 anos, ama trabalhar. Ela conta que, em seu emprego, tem a opção de escolher trabalhar aos sábados e sempre opta por cumprir o horário porque sente que ocupa a mente com algo que gosta e a deixa mais produtiva. Ela atua há 4 anos na mesma clínica e o maior desafio é lidar com as pessoas. “A maior dificuldade é lidar com pessoas que não têm empatia umas pelas outras. Como eu trabalho em clínica, existem algumas pessoas que, mesmo sendo da área, não têm empatia”, destacou.

Rita afirma que trabalhar na área da saúde acrescenta muito ao seu conhecimento, já que ela pretende seguir atuando no setor multidisciplinar. “Minha ocupação me ajuda muito na minha saúde mental.” Entretanto, ela sabe que tem o poder de escolher se trabalha no sábado ou não, o que muitas pessoas não têm. Por isso, ela é a favor do debate sobre melhores condições de trabalho para todos.

O biomédico Pedro Felipe, 35 anos, conta que é muito realizado hoje no que faz. “Eu gosto de trabalhar em laboratório, trabalhar em clínica com o público e na parte da estética”, disse. Ele trabalha tanto como CLT quanto como autônomo e acaba trabalhando todos os dias e alguns sábados. “Eu acho cansativo, mas hoje em dia o trabalhador precisa trabalhar muito para poder ter um bom salário.”

Apesar disso, ele é contra a escala 6×1 e acredita que os trabalhadores realmente precisam ter esse dia de descanso. “Mas precisamos também deixar livre para o trabalhador, caso ele realmente queira, às vezes, trabalhar no sábado”, acrescentou. Ele acredita que a liberdade de decisão — como a que ele tem por cumprir o horário de CLT e trabalhar aos sábados como autônomo — ajuda na renda extra, que é necessária para o trabalhador no Brasil atualmente.

Serviço: Vagas no Sistema S para o 2º Trimestre de 2026

Vagas por Segmento:

Tecnologia e Economia Criativa: 324 vagas

Beleza e Cuidado Pessoal: 253 vagas

Gastronomia e Turismo: 219 vagas

Gestão e Vendas: 135 vagas

Saúde e Segurança: 47 vagas

Cursos com maior oferta:

Informática Windows e Office Fundamental (55 vagas)

Salgadeiro (49 vagas)

Lógica de Programação (48 vagas)

Manicure e Pedicure (45 vagas)

Programador Web (35 vagas)

Unidades de destaque:

Sobradinho: 138 vagas

Talal Abu-Allan: 132 vagas

Miguel Setembrino (Gastronomia e Turismo): 130 vagas

Polo São Sebastião: 119 vagas

Jó Rufino e Carlos Aguiar: 108 vagas

T LB

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