O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal (PF) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiguem a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com as concessionárias que administram o serviço funerário do município de São Paulo.
A decisão foi tomada após matérias jornalísticas revelarem que o ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, teve um encontro com Vorcaro em março de 2025. Na semana passada, Mendonça confirmou a reunião e disse que o tema foi a tramitação de uma ação na qual o Master discutia no STF créditos de precatórios de fundos ligados ao banco.
De acordo com a reportagem citada na decisão, os fundos têm participação societária nas empresas que operam os cemitérios. Dino determinou que a apuração deve se restringir à suposta relação entre o Master e as concessionárias e não pode alcançar Mendonça sem autorização prévia do Supremo.
O ministro também enviou sua decisão ao presidente do STF, Edson Fachin, para as medidas que considerar cabíveis. Cabe ao presidente decidir sobre a abertura de investigação contra membros da Corte.
Flávio Dino é relator da ação na qual o PCdoB contesta a legalidade dos preços cobrados pelas empresas que operam os cemitérios de São Paulo. Em novembro de 2024, ele determinou que sejam cobrados os valores dos serviços funerários praticados antes da concessão dos cemitérios à iniciativa privada.
Segundo levantamento do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), antes da concessão o custo do pacote mais barato de serviços funerários era de R$ 428,04. Depois da concessão das unidades à iniciativa privada, o menor valor de pacote aos clientes passou para R$ 1.494,14.






