Em mais de meio século de exploração espacial humana, a representatividade tem sido um desafio. Uma parcela significativa de astronautas é composta por homens, e o número de mulheres negras que alcançaram o espaço é ainda menor. Uma missão recente da Blue Origin, com um grupo composto exclusivamente por mulheres, incluindo a cantora Katy Perry, reacendeu o debate sobre a necessidade de inclusão e diversidade no setor aeroespacial.
Com a Nasa selecionando novos astronautas em intervalos de quatro anos, e sem mulheres negras na turma de 2025, a discussão sobre acesso e igualdade ganha ainda mais urgência. Nesse cenário, a jornada de Aisha Bowe, ex-cientista de foguetes da Nasa, empreendedora e uma das primeiras mulheres negras astronautas civis, ganha destaque. Seu voo a bordo do New Shepard, da Blue Origin, representa um marco na história aeroespacial, demonstrando o potencial de mulheres negras em áreas historicamente dominadas por homens.
Bowe trilhou um caminho que a levou de um community college à Nasa, da diplomacia internacional como palestrante de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) do Departamento de Estado dos EUA ao empreendedorismo como CEO da STEMBoard e da Lingo. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos, como o Engineering Honor Award e a Equal Employment Opportunity Medal, ambos da Nasa, e o Black Enterprise Luminary Award.
Apesar de suas conquistas, Bowe revela que nem sempre se sentiu confiante em suas capacidades. Acreditava que não era possível alcançar certos objetivos por não ver pessoas como ela em posições de destaque. Essa mudança de mentalidade a impulsionou a buscar a graduação, estudar engenharia aeroespacial e trabalhar na Nasa.
Sua crença em desafiar limites tem raízes familiares. Seu pai, vindo das Bahamas, buscava uma vida melhor por meio da educação. A determinação dele em cursar engenharia elétrica na idade adulta, enquanto Bowe enfrentava dificuldades no ensino médio, a inspirou a acreditar na reinvenção pessoal.
Ao ingressar na Nasa, Bowe se dedicou a aprender e se preparar para futuras oportunidades. Participou de seminários, conversou com especialistas e buscou conhecimento em diversas áreas. Após um estágio de verão, negociou uma extensão para continuar no programa e se candidatar a uma vaga em tempo integral.
Após seis anos de aprendizado e desenvolvimento de liderança, Bowe sentiu a necessidade de ampliar seu impacto. Começou a trabalhar voluntariamente em escolas, inspirando estudantes a seguir carreiras em STEM. Essa experiência a motivou a fundar a STEMBoard, uma empresa que fornece serviços de ciência de dados, análises e TI para o governo federal dos EUA.
A jornada de Bowe ao espaço começou de forma inesperada, através de uma jovem de 13 anos chamada Claire, que aspirava ser engenheira aeroespacial. Ao longo dos anos, Bowe a mentorou, acompanhando seu desenvolvimento na Nasa e na Blue Origin. Ao ajudar a formar a próxima geração, Bowe percebeu a importância de tornar o setor aeroespacial mais visível e inspirador para os jovens.
Para se preparar para a missão espacial, Bowe passou por um intenso treinamento, incluindo voos em jatos de combate e simulações no NASTAR Center. Durante a missão do New Shepard, atuou como operadora da carga útil científica em um experimento colaborativo com a Nasa e a Universidade do Colorado Boulder, investigando os efeitos da microgravidade na biologia das plantas.
Após anos inspirando estudantes, Bowe criou a Lingo, uma empresa de educação em STEM que busca capacitar um milhão de alunos com habilidades nessas áreas nos próximos dez anos. A Lingo oferece um currículo online que permite aos alunos construir projetos práticos, conectando tecnologia e empreendedorismo.
Fonte: forbes.com.br








