FOLHAPRESS
O dólar sobe nesta quarta-feira (26), com investidores reagindo a dados da inflação no Brasil abaixo do esperado e nos EUA, ainda persistente acima da meta do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
Por volta das 12h40, a moeda americana subia 0,36%, a R$ 5,158, em linha com o exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, avançava 0,25%.
No mesmo horário, a Bolsa também avançava em ritmo similar, com alta de 0,38%, a 175.225 pontos.
No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação em agosto, ao registrar taxa de -0,4%, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta.
A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,73%). O IPCA-15 caiu mais do que o previsto pelo mercado financeiro, cuja mediana das estimativas era de -0,32%, conforme a agência Bloomberg.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,24% até agosto, abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA.
A queda reforça a expectativa de cortes na taxa de juros brasileira, a Selic, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC, em setembro.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o resultado é positivo para a Bolsa. “A leitura é que o dado é um fator de apoio à expectativa de ciclo de cortes de juros mais consistente e beneficia, especialmente, setores mais sensíveis à taxa, como varejo e construção”.
Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio nesta manhã. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE, que o Fed utiliza para definir sua meta.
A inflação anual dos Estados Unidos permaneceu bem acima da meta de 2% do Federal Reserve e contribuirá para o tenso debate do banco central sobre se a taxa de juros deve ser elevada ou mantida em meio à guerra no Irã.
Participantes do mercado estão precificando um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, de acordo com dados da LSEG.
“O resultado mostra que a inflação pelo PCE segue rodando bem acima da meta de 2% do Fed, com o núcleo mantendo ritmo elevado na comparação anual. O resultado, contudo, não deve alterar a leitura do mercado, que segue apostando em manutenção de juros na reunião de setembro, com uma possível alta ficando para outubro ou dezembro”, diz Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Para Araújo, o dado não traz surpresa negativa, mas confirma que a inflação americana segue pressionada, “mantendo o banco central sem espaço para cortes de juros mais agressivos no curto prazo e sustentando o dólar firme”.
Investidores também mantêm no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã. Nesta quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito.
Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda.
Adicionando dúvida sobre o anúncio, segundo a Guarda Revolucionária a medida só irá ser implementada quando os EUA concordarem com seus termos.
Os Estados Unidos, que iniciaram a guerra no fim de fevereiro, já disseram se opor a qualquer solução para Hormuz que não passe por seu controle.
Na segunda, os EUA anunciaram a ampliação das sanções contra o Irã e a países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica. Adotando termos vagos, o governo Donald Trump chamou a operação de “Dia D Econômico”, sem impor medidas imediatas de retaliação ao país persa.
A operação de Washington contra Teerã, segundo o governo Trump, deverá ampliar as sanções contra setores essenciais à economia do país persa, como ativos digitais, tecnologia, aviação e transporte marítimo.
O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que não especificou, contudo, as medidas nem os prazos para elas. Ele também não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos.
“Ninguém deu mais chances à República Islâmica do Irã de chegar a um acordo do que eu. Tragicamente para eles, eles não aproveitaram. Por isso, estou anunciando a operação econômica mais esmagadora jamais empreendida contra qualquer país”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social.
Também não está claro se ele se refere a aliados mais próximos do Irã, como a Rússia e a China, ou a parceiros comerciais da República Islâmica em geral, grupo que inclui o Brasil que exporta, principalmente, milho e soja ao país persa e também aliados dos EUA, como Turquia, Índia e Paquistão.








