Quinta-feira, 16/07/26

DPDF aciona MEC após questão de prova sugerir uso de apostas como ferramenta pedagógica

DPDF aciona MEC após questão de prova sugerir uso de apostas como ferramenta pedagógica
DPDF aciona MEC após questão de prova sugerir uso de – Reprodução

Uma questão de prova que sugere o uso de apostas como ferramenta pedagógica no ensino de matemática motivou a atuação da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). Por meio do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon/DPDF), a instituição encaminhou representação ao Ministério da Educação (MEC). No documento, a instituição solicita a apuração do caso e a retirada imediata do conteúdo do curso “Mais Ensino Médio”, disponível na plataforma AVAMEC e voltado à formação de professores da rede pública.

A preocupação central, de acordo com o documento, é que a questão apresentada no curso indica como correta uma alternativa que incentiva o uso de bets entre estudantes. Embora o comando da questão reconheça os riscos associados às apostas, como dependência e endividamento, não reduz o seu potencial de danos. Para a instituição, a mensagem pode contribuir para a normalização de práticas potencialmente prejudiciais entre adolescentes, público protegido por legislação específica.

Antônio Carlos Cintra, defensor público coordenador do Nudecon/DPDF, explica que a iniciativa contraria princípios básicos da educação e da proteção integral de crianças e adolescentes. “Não é papel da escola legitimar ou normalizar práticas que já são reconhecidamente nocivas. A educação deve atuar na prevenção, esclarecendo riscos e promovendo escolhas conscientes, e não estimulando comportamentos potencialmente prejudiciais”, afirmou.

Conteúdo pedagógico contraria proteção à infância

O Nudecon/DPDF destaca que o crescimento das apostas esportivas no Brasil está associado a estratégias massivas de publicidade, com forte impacto sobre famílias em situação de vulnerabilidade. Dados citados na representação apontam que cerca de 17% da população brasileira apostou no último ano e aproximadamente 7% já apresenta comportamento de risco ou problemático. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, mais de 10% já tiveram contato com apostas, apesar da proibição legal.

Além dos impactos sociais, o documento ressalta efeitos econômicos relevantes. Levantamentos indicam que bilhões de reais de programas sociais, como o Bolsa Família, foram direcionados a plataformas de apostas. A DPDF também menciona estudos que relacionam a ludopatia – doença caracterizada pelo vício em jogos de azar – a problemas como depressão, ansiedade e aumento do risco de suicídio.

Diante da gravidade do caso, a instituição recomendou a abertura de procedimento administrativo para apuração dos fatos. O MEC deverá identificar os responsáveis pela elaboração do conteúdo e analisar a compatibilidade da questão com a legislação educacional e com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Também foi solicitada a retirada imediata do material da plataforma AVAMEC e a adoção de medidas para evitar a veiculação de conteúdos semelhantes, com prazo de 15 dias para resposta do MEC.

*Com informações da DPDF

T LB

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