Quinta-feira, 25/06/26

Edir Macedo diz estar em paz após operação da PF contra banco Digimais

Banco transferiu para empresa de pastor contrato até de carro roubado
Banco transferiu para empresa de pastor contrato até de carro – Reprodução

LÍVIA GOULART
FOLHAPRESS


O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do banco Digimais, afirmou em pregação, publicada na manhã desta quarta-feira (24), que está tranquilo e “em paz com Deus”. A declaração foi feita um dia após a Operação Miragem, ação da PF (Polícia Federal) que investiga possíveis irregularidades na instituição financeira do líder religioso.

Sem citar diretamente a operação policial, Macedo disse confiar que seus adversários serão derrotados “como os do passado”. Durante o discurso, o bispo disse ter “a consciência absolutamente tranquila e em paz”.

A operação foi realizada em endereços ligados ao Digimais e à gestora ID Serviços Financeiros, que prestava serviços ao banco. A ação investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo fraudes em registros contábeis e relatórios financeiros, além de realização de empréstimos e financiamentos proibidos por lei.

A investigação suspeita que diretores do Digimais tenham manipulado os relatórios financeiros do banco para esconder a verdadeira situação financeira da instituição e aparentar solidez diante dos órgãos de controle.

Mais de R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados foram bloqueados com autorização da Justiça Federal.

Edir Macedo é investigado por ser proprietário do banco, mas não foi alvo de mandado de busca e apreensão porque tem endereço residencial nos Estados Unidos. Houve, no entanto, pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal.

A Polícia Federal identificou um esquema no banco em que gestores compraram, por meio de fundos de investimento, fatias de um direito a receber de uma ação judicial de 1967 contra a União. Esses ativos foram reavaliados repetidamente e sem justificativa real, inflando o patrimônio da instituição e gerando uma receita fictícia de R$ 199 milhões nos balanços.

Quando o Banco Central exigiu a correção desses valores, o banco teria recorrido a um contrato que a investigação considera simulado com sua própria controladora para adiar o ajuste contábil até 2032, mantendo a cifra inflada nos registros.

Além do bispo e das empresas ligadas a ele, a operação mirou o diretor jurídico Marcelo de Lima Brasil, o presidente interino João Alves de Campos, diretor contábil Rodrigo Ruggero, os bispos João e Thiago Urbaneja e o gestor de fundos José Roberto Giancoli Filho, todos do Digimais. Também, o diretor da ID Serviços Financeiros, Rodrigo Balassiano.

O Digimais afirmou que permanece à disposição das autoridades e que reafirma seu compromisso com a transparência e a colaboração com as apurações.


T LB

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