Descrença, falta de renovação e sucessivos escândalos de corrupção ampliam a sensação de que faltam opções confiáveis nas urnas
Por *Barão Veloso
A sensação de descrença no cenário político tem se intensificado nos últimos anos, alimentando a percepção de que o eleitor está cada vez mais refém de representantes marcados por escândalos, promessas não cumpridas e práticas distantes do interesse público. Em meio a sucessivas crises, cresce o sentimento de abandono por parte de uma população que, embora chamada a decidir nas urnas, muitas vezes não se reconhece nas opções disponíveis.
Esse cenário é resultado de um histórico prolongado de corrupção e de fragilidades institucionais que permitem a repetição de velhas práticas. Mesmo após operações, investigações e mudanças na legislação, muitos políticos envolvidos em irregularidades continuam encontrando espaço para disputar eleições, o que reforça a ideia de impunidade e perpetuação de vícios no sistema.
Para o eleitor comum, a dificuldade em identificar candidatos confiáveis se torna um obstáculo central. As campanhas eleitorais, frequentemente baseadas em marketing e discursos genéricos, acabam obscurecendo o histórico e as reais intenções dos postulantes aos cargos públicos. Com isso, a escolha deixa de ser pautada pela confiança e passa a ser guiada pelo “menos pior”, um indicativo claro da crise de representatividade.
Além disso, a fragmentação partidária contribui para a confusão do eleitorado. Com dezenas de partidos ativos, muitos sem identidade ideológica clara, o processo eleitoral se torna ainda mais complexo. Essa multiplicidade de siglas, aliada a alianças pouco transparentes, dificulta a construção de projetos políticos sólidos e compromissados com o interesse coletivo.
Outro fator que aprofunda essa sensação de refém é a falta de renovação efetiva na política. Embora novos nomes surjam a cada eleição, grande parte deles está vinculada a estruturas tradicionais ou reproduz práticas já conhecidas. A promessa de mudança, nesse contexto, muitas vezes não se concretiza, gerando frustração e afastamento do cidadão da vida política.
Especialistas apontam que a saída para esse ciclo passa, necessariamente, pelo fortalecimento da participação popular e pela valorização de mecanismos de transparência e controle social. Iniciativas como o acompanhamento de mandatos, o acesso à informação e o engajamento em debates públicos são fundamentais para pressionar por mudanças reais e ampliar a responsabilidade dos eleitos.
Diante desse panorama, o desafio que se impõe é reconstruir a confiança entre eleitores e representantes. Mais do que um direito, o voto precisa voltar a ser um instrumento de transformação, capaz de romper com práticas nocivas e abrir espaço para lideranças comprometidas com a ética e o interesse público. Sem isso, a sensação de aprisionamento político tende a persistir, enfraquecendo ainda mais a democracia.
Para mudar os rumos da política do Distrito Federal e pela moralidade da coisa pública, vote com consciência
*Barão Veloso é filiado do Democracia Crista e diz que não desiste da pré candidatura ao cargo de Governador do Distrito Federal
Correio de Santa Maria ,- Por Barão Veloso








