Um petroleiro russo recuou e alterou sua rota em direção à Venezuela após encontrar um navio de guerra dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela agência de notícias Bloomberg nesta sexta-feira, 21.
Incidente com Petroleiro Russo no Caribe
A movimentação do petroleiro russo levanta questões sobre uma possível ação do governo dos Estados Unidos para boicotar a assistência energética russa ao governo venezuelano, como parte de uma estratégia de pressão. As relações entre Estados Unidos e Venezuela vivenciam um aumento de tensões.
Essas tensões são reflexo do envio de tropas americanas para o Caribe e o Pacífico, em uma ação descrita como cerco ao narcotráfico. Um consultor sênior de defesa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, em avaliação à Bloomberg, indicou que o incidente representa mais um estágio na pressão exercida pelos EUA sobre o governo venezuelano.
O mesmo consultor observou que uma redução nas exportações de petróleo poderia prejudicar seriamente o governo venezuelano, dado que o petróleo é sua principal fonte de exportação. O incidente específico teria ocorrido em 13 de novembro, quando o navio russo Seahorse estava a caminho da Venezuela com uma carga de combustível.
Ao avistar o USS Stockdale, um destróier americano, na sua rota, o Seahorse alterou o curso, seguindo em direção a Cuba e navegando próximo às águas venezuelanas. Desde então, a embarcação tentou chegar à Venezuela por duas vezes, mas recuou e permanece ancorada no Caribe.
Essa situação é considerada incomum, pois os navios petroleiros russos raramente ficam inativos nessa rota comercial. O Seahorse é alvo de sanções pelo Reino Unido e pela União Europeia (UE) e integra um grupo de quatro navios russos responsáveis pelo transporte de nafta, um diluente de petróleo essencial para o fluxo do óleo nos oleodutos da Venezuela.
Contexto das Tensões entre Estados Unidos e Venezuela
No domingo, 16, os Estados Unidos anunciaram a classificação do Cartel de los Soles, que, segundo a Casa Branca, é associado a um líder do governo venezuelano, como uma Organização Terrorista Estrangeira. O governo dos EUA ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que pudessem levar à captura do líder venezuelano.
No final de outubro, autoridades dos Estados Unidos revelaram ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas na Venezuela, intensificando as especulações de que Washington busca a deposição do presidente venezuelano. A mobilização militar incluiu o deslocamento do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, juntamente com destróieres, caças F-35, um submarino nuclear e aproximadamente 6.500 soldados para o Caribe.
Operações Navais e Alegações de Narcotráfico
Paralelamente, ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas no Caribe e no Pacífico se intensificaram, resultando em 83 mortes. Esses atos foram considerados “execuções extrajudiciais” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Juristas e legisladores democratas manifestaram alarme, denunciando os casos como violações do direito internacional.
Em contrapartida, o governo dos Estados Unidos argumentou que o país já está engajado em uma guerra contra grupos narcoterroristas da Venezuela, o que legitimaria os ataques. Autoridades também afirmaram que disparos letais são necessários, pois as abordagens tradicionais para prender tripulantes e apreender cargas ilícitas não conseguiram conter o fluxo de narcóticos para o país.
Dados Internacionais e Percepção Pública
Dados das Nações Unidas, no entanto, indicam que o fentanil, principal responsável pelas overdoses nos EUA, tem origem no México, e não na Venezuela. O país sul-americano, segundo os dados, praticamente não contribui para a produção ou contrabando do opioide para os Estados Unidos.
O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 também aponta que as drogas mais consumidas pelos americanos não são provenientes da Venezuela. A cocaína, que afeta cerca de 2% da população, tem sua origem majoritária em Colômbia, Bolívia e Peru.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na última sexta-feira, 14, revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminar suspeitos de narcotráfico sem o devido processo judicial. A pesquisa indicou uma divisão de opiniões: 27% dos republicanos entrevistados se opuseram à prática, enquanto 58% a apoiaram; o restante não manifestou opinião.
No Partido Democrata, aproximadamente 75% dos eleitores se posicionaram contra as operações, e 10% foram favoráveis. A interação do petroleiro russo com a embarcação militar dos EUA ressalta a complexidade e a contínua tensão nas relações internacionais da região.
Por Correio de Santa Maria, com informações da Bloomberg.








