Sábado, 25/04/26

Encontro debate proteção de jovens em redes sociais no DF

Encontro debate proteção de jovens em redes sociais no DF
Encontro discute cuidados e proteção de jovens nas redes sociais – Reprodução

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) promoveu, na última quinta-feira (23), uma palestra sobre a proteção de jovens e o combate a crimes cibernéticos na sede da pasta. O evento, parte do programa Guardiões da Infância, contou com a participação do delegado Thiago Medeiros, da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (Dciber) da Polícia Federal (PF).

Organizado pela Assessoria Especial de Cultura de Paz nas Escolas da SEEDF, o encontro lotou o auditório Neusa França com profissionais da educação que buscam capacitação sobre o assunto para lidar com situações que envolvam bullying, cyberbullying e violência sexual. A ação é fruto de uma parceria entre a SEEDF e a PF, que já alcançou 3,5 mil estudantes e cerca de mil professores da rede pública de ensino.

O programa Guardiões da Infância e os crimes cibernéticos

Presente na abertura do evento, a secretária de Educação do DF interina, Iêdes Braga, destacou a importância da formação. “Nós precisamos estar atentos às condições do bullying, que não acontece só nas escolas, acontece em todos os espaços. A gente vive um momento em que o cyberbullying tem sido um grande vilão na vida dos nossos estudantes. Precisamos usar as redes sociais de forma consciente.”

Atenta aos casos de bullying e cyberbullying nas escolas, a chefe da Assessoria Especial de Cultura de Paz, Ana Beatriz Goldstein, reforçou a importância de falar sobre o tema. “O bullying e o cyberbullying são os maiores casos de violência que nós temos dentro do ambiente escolar, especialmente quando se tem o abandono digital, no qual os estudantes ficam muito tempo nas redes sociais. Verificamos também um aumento dessas situações de violência no início do ano, em março e abril. Então, intensificamos nossas ações no semestre inteiro com a parceria da Polícia Federal, Secretaria de Segurança Pública, Batalhão Escolar e Anatel, para trabalhar segurança nas redes”, salientou.

Acompanhamento e identificação de sinais

O abandono digital refere-se a uma forma de negligência dos responsáveis, marcada pela falta de cuidado, proteção e orientação dos filhos no ambiente online. Quando crianças e adolescentes têm acesso livre e excessivo aos conteúdos da internet, sem o devido acompanhamento dos pais, podem ser expostos a situações de risco e vulnerabilidade.

O intuito da palestra foi capacitar educadores sobre a violência sexual infantojuvenil, perfis e sinais identificadores do abuso, e os procedimentos a serem adotados em caso de suspeita. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, a cada 100 mil habitantes, 41,2 já foram vítimas de estupro de vulnerável, e 80% dessas vítimas são menores de 18 anos. Desses, 84,7% foram abusadas por pessoas conhecidas ou familiares.

A servidora da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica (Unigaeb), Natalia Acioly, comentou: “A escola é um lugar onde tudo eclode, inclusive esses problemas sociais, de abuso infantil, tudo aparece dentro da escola, é o primeiro refúgio que a criança tem, depois do seu convívio mais direto com seus familiares, então, geralmente, ela procura um professor, alguém da escola para tentar ajudá-la a sair dessa situação”.

O delegado Thiago Medeiros salientou que não há um perfil definido de abusador, mas ressaltou alguns pontos que podem ajudar na identificação de casos.

Aspectos que favorecem a vitimização de crianças e adolescentes:

  • Grande quantidade de horas em redes sociais e pouca vigilância dos responsáveis;
  • Crianças carentes emocionalmente (necessidade excessiva de afeto e atenção);
  • Existência de alguma vulnerabilidade prévia (introspecção, deficiências, depressão, etc);
  • Histórico de bullying;
  • Ambiente familiar conflituoso.

Sinais identificadores físicos:

  • Dor ou irritação na área anogenital ou alterações clínicas (hematomas, assaduras constantes, corrimentos, sangramento, infecção de repetição, infecções urinárias, etc);
  • Dificuldades em urinar ou evacuar, escapes frequentes (diurnos ou noturnos);
  • Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Gestação.

Sinais identificadores sociais:

  • Mudanças comportamentais radicais, súbitas e incompreensíveis (oscilações de humor, agressividade, medo e/ou pânico);
  • Tendência ao isolamento social, apresentando poucas relações com colegas e companheiros;
  • Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica;
  • Culpa e autolesão;
  • Recusa de estabelecer contato físico;
  • Medo de pessoas ou lugares específicos (casa, escola, etc);
  • Comportamentos infantis repentinos (urinar nas calças, na cama, em público);
  • Silêncio predominante;
  • Dificuldade de concentração e queda de rendimento escolar;
  • Curiosidade sexual, interesse ou conhecimento súbito e não usual para sua idade sobre questões sexuais.

Para os educadores terem melhores condições de identificar e acolher:

  • Observar sempre seus alunos, criando vínculos com eles, principalmente com os “mais problemáticos” ou com os mais “tímidos”;
  • Manter registros sobre o desempenho/histórico escolar do aluno;
  • Conversar com o (a) aluno (a) quando perceber alterações no comportamento e humor;
  • Demonstrar disponibilidade para conversar e buscar um ambiente acolhedor para a conversa;
  • Ouvir atentamente, sem interromper, e não pressionar para obter informações;
  • Utilizar linguagem acessível a criança/adolescentes;
  • Evitar perguntas desnecessárias, perguntar somente o necessário para saber o que fazer em seguida;
  • Levar a sério tudo o que ouvir, sem julgar, criticar ou duvidar do que a criança-adolescente diz;
  • Manter-se calmo e tranquilo, sem reações extremadas ou passionais;
  • Expressar apoio, solidariedade e respeito.

*Com informações da Secretaria de Educação do DF

T LB

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