Altos funcionários e representantes americanos, europeus e ucranianos se reúnem em Miami, nesta sexta-feira (9), em um novo esforço para pôr fim à guerra entre Rússia e Ucrânia, um conflito que se encontra em um “beco sem saída”, para o qual Washington busca uma solução.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse na quinta-feira que a guerra chegou a um beco sem saída potencialmente explosivo devido à falta de um acordo.
“A outra forma de acabar com este beco sem saída é através de uma escalada”, disse Rubio à imprensa em Lisboa, ao advertir que o conflito pode se espalhar para países vizinhos que são membros da Otan.
“Acreditamos que não existe uma solução militar para este conflito”, acrescentou.
– Novas propostas –
A reunião em Miami ocorre depois da visita a Moscou, no mês passado, de Witkoff, um antigo aliado de Trump, e Kushner, genro do presidente americano.
O governo dos Estados Unidos busca retomar os diálogos para pôr fim ao conflito.
Entre as iniciativas que estão sendo consideradas está um cessar-fogo parcial para deter os ataques contra a infraestrutura energética e os carregamentos de grãos, segundo o site americano Axios.
A Ucrânia tem se mostrado aberta a explorar esse acordo, mas a Rússia demonstrou pouco entusiasmo, acrescentou o veículo.
À medida que o inverno se aproxima, as negociações se aceleram diante da possibilidade de continuação dos ataques contra a infraestrutura vital na região.
O esforço diplomático também ocorre depois de vários ataques da Rússia contra a Ucrânia, incluindo um contra dois ônibus na cidade de Kramatorsk, que deixou 30 mortos.
– Ponto morto –
As tentativas de Washington para encerrar o conflito se depararam com as demandas territoriais de Moscou, especialmente com a insistência do Kremlin de controlar toda a região do Donbass, no leste da Ucrânia, que inclui áreas que Kiev ainda controla.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, tem recusado entregar o território controlado pela Ucrânia, ao alertar que a Rússia pode tomá-lo como um trampolim para futuros ataques.
A Rússia, que iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, ocupa cerca de um quinto do território ucraniano.
Espera-se que as discussões em Miami incluam garantias de segurança para proteger a Ucrânia de futuras agressões da Rússia, além de um plano para a recuperação econômica do país uma vez encerrada a guerra, disseram funcionários americanos.
Conselheiros de segurança de Grã-Bretanha, França e Alemanha foram convidados para os diálogos, assim como representantes da Otan e da União Europeia.
Funcionários europeus expressaram preocupação com os custos maiores da energia e as consequências econômicas do conflito, segundo fontes americanas.
O chefe de gabinete de Zelensky, Kyrylo Budanov, e o titular da Inteligência, Rustem Umerov, estarão entre os funcionários ucranianos presentes nos diálogos. Também vão participar os negociadores Sergiy Kyslytsya e David Arakhamia.
Witkoff e Kushner informaram Trump, nesta quinta-feira, sobre suas propostas, em uma reunião da qual também participaram o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e outros funcionários, acrescentou o site Axios.
Washington busca avançar no esforço diplomático antes das eleições legislativas de novembro. Também busca voltar a conversar com Rússia e Ucrânia no fim de outubro.
O Kremlin tem insinuado que esta negociação trilateral poderia ser retomada em outubro, embora ainda não haja uma data confirmada.
Esta semana, Trump disse que esperava falar por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, embora não esteja claro se a Ucrânia participaria desta conversa.








