Sábado, 22/08/26

Eurofarma reduz preço de caneta de semaglutida Poviztra em até 39% nas doses de 1,7 mg e 2,4 mg

Eurofarma reduz preço de caneta de semaglutida Poviztra em até 39% nas doses de 1,7 mg e 2,4 mg
Eurofarma reduz preço de caneta de semaglutida Poviztra em até – Reprodução

VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS

A Eurofarma reduziu os preços das doses de 1,7 mg e 2,4 mg do Poviztra, medicamento à base de semaglutida indicado para tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades.

A redução ocorre em um momento de forte procura por produtos feitos no Paraguai e de abertura do mercado brasileiro de semaglutida com a queda da patente da substância.

Com a nova tabela, a dose de 1,7 mg ficou 39% mais barata, enquanto a de 2,4 mg teve redução de 29%, custando R$ 829 e R$ 1.169, respectivamente, dentro do programa de suporte ao paciente EuroCuida. Antes, os valores eram de R$ 1.364 e R$ 1.637. A iniciativa, segundo a empresa, tem o objetivo de contribuir para a continuidade do tratamento.

Em junho, a Eurofarma já havia informado redução dos preços nas apresentações de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. As duas primeiras doses passaram a custar R$ 445 e a de 1 mg, R$ 490. As doses de 1,7 mg e 2,4 mg, porém, permaneceram com os mesmos valores.

A Eurofarma comercializa o Poviztra desde outubro de 2025, por meio de uma parceria com a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e Wegovy. Segundo a farmacêutica brasileira, o Poviztra é idêntico ao Wegovy.

O medicamento também é indicado para reduzir o risco de morte, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em adultos com doença cardiovascular estabelecida.

A redução ocorre em um momento de maior concorrência no mercado brasileiro de semaglutida, após a queda da patente da substância, que expirou em 20 de março de 2026.

A partir daí, empresas passaram a solicitar registros de novos medicamentos com a molécula, incluindo produtos sintéticos e biológicos, como Ozivy, da EMS e Extensior, da Eurofarma.

Em julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou cinco novas canetas de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Na última segunda (17), a agência aprovou o primeiro genérico de semaglutida do país.

Remédios de semaglutida pertencem à classe dos análogos do GLP-1, ou seja, agem de forma semelhante ao hormônio natural. Eles modulam mecanismos de saciedade e regulação metabólica, contribuindo para a perda de peso.

Já a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua sobre dois hormônios: o GLP-1 e o GIP. Por isso, é chamada de duplo agonista, mas isso não significa que ela seja mais forte.

Segundo Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, a agência pode aprovar mais oito canetas emagrecedoras até o fim de 2026. O governo monitora o registro de novos produtos, pois existe a expectativa de levá-los ao SUS (Sistema Único de Saúde).

Em entrevista anterior à Folha de S.Paulo, Safatle defendeu que mais empresas apresentem pedidos de registro no Brasil.

Ao mesmo tempo, há forte procura por produtos para emagrecimento fabricados no Paraguai, vendidos como versões dos originais a preços inferiores aos praticados no mercado brasileiro. Esses medicamentos entram no país de forma irregular e não têm registro sanitário na Anvisa.

O interesse por essas alternativas cresceu à medida que Mounjaro e Ozempic se popularizaram como tratamento para obesidade, mas permaneceram com preços elevados. Uma caixa de 2,5mg de Mounjaro, por exemplo, custa cerca de R$ 1.422, enquanto uma de 15mg chega a R$ 3.499. No Paraguai, uma versão de 15mg custa cerca de R$ 430.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que canetas paraguaias são amplamente procuradas por brasileiros, enquanto a fiscalização na fronteira tem registrado aumento nas apreensões.

Na fronteira de Foz do Iguaçu, as apreensões desses medicamentos aumentaram 860,8% em um ano, segundo a Receita Federal, passando de 7.479 para 71.860 unidades.


T LB

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