Sexta-feira, 09/10/26

Faixa de Gaza tem 82% das construções danificadas três anos após 7 de Outubro

Faixa de Gaza tem 82% das construções danificadas três anos após 7 de Outubro
Faixa de Gaza tem 82% das construções danificadas três anos – Reprodução

GABRIEL BARNABÉ
FOLHAPRESS

Há três anos, na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e invadiram comunidades e cidades do sul de Israel. O ataque, o mais mortal da história do país, matou 1.221 pessoas, e outras 251 foram sequestradas.

As Forças Armadas de Israel responderam ao atentado com bombardeios e com uma operação terrestre na Faixa de Gaza. O território palestino foi reduzido a escombros.

O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu estabeleceu como objetivos destruir as capacidades militares e de governo do Hamas e libertar os reféns levados pelo grupo. Tel Aviv afirma desde então que seus ataques têm como alvo combatentes e estruturas militares e acusa a facção de instalar sua infraestrutura em áreas civis densamente povoadas.

Três anos depois, o tamanho da operação pode ser medido também pelo pouco que ficou de pé. A avaliação mais recente do Unosat, centro de satélites das Nações Unidas, identificou danos em 201.290 estruturas, o equivalente a 82% de todas as construções da Faixa de Gaza. A análise foi feita a partir de imagens registradas em 16 de junho deste ano.

Desse total, 134.422 estruturas foram classificadas como completamente destruídas. Outras 13.848 sofreram danos graves; 28.096, danos moderados, e 24.924 apresentavam possíveis avarias. O órgão estima ainda que 328.627 unidades habitacionais tenham sido atingidas. Imagens de antes e depois de diferentes pontos do território, divulgadas no fim de setembro pelo serviço do Google Earth, mostram ruas e bairros inteiros substituídos por terrenos cobertos de escombros.

A destruição continuou mesmo depois da entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro do ano passado. Na comparação com a avaliação feita pelo Unosat logo após o início da trégua, o número total de estruturas atingidas aumentou 1,5%. O de construções completamente destruídas, por sua vez, cresceu 9% entre outubro de 2025 e junho deste ano.

Um relatório do Unicef, fundo da ONU para a infância, calculou que 95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025. Uma avaliação conjunta publicada em abril pela ONU, pela União Europeia e pelo Banco Mundial indicou ainda que mais da metade dos hospitais não funciona e apontou moradia, saúde, educação, comércio e agricultura entre os setores mais atingidos.

A destruição dos campos agrícolas mina especialmente a capacidade de produção de alimentos. Com a maior parte das cidades também destruída, é em grandes descampados —que antes produziam comida— que palestinos puderam erguer tendas de abrigo.

Uma análise da FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, e do Unosat concluiu que, em junho, apenas 3% das terras agrícolas de Gaza estavam intactas e acessíveis aos palestinos. Dos 4.091 hectares de áreas cultiváveis ainda acessíveis —ou seja, dentro da área delimitada pela “linha amarela” estabelecida por Israel—, somente 448 hectares não apresentavam danos.

Em paralelo à destruição sistemática, a ofensiva israelense também matou mais de 74 mil palestinos desde 2023, segundo números de autoridades controladas pelo Hamas. O cessar-fogo que nesta semana completa um ano reduziu a intensidade dos combates a partir de outubro de 2025, mas ataques e operações militares continuaram desde então. Mais de 1.400 palestinos foram mortos mesmo durante a trégua.

A reconstrução do território de Gaza, segundo ONU, União Europeia e Banco Mundial, vai exigir ao menos US$ 71,4 bilhões na próxima década. Só nos primeiros 18 meses seriam necessários US$ 26,3 bilhões, de acordo com o levantamento. Os danos físicos foram estimados em US$ 35,2 bilhões, e o relatório calcula que a guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress