Quase 10 meses após matar a ex-ficante e o vizinho a tiros por suspeitar de traição, Flavio André Leonardo da Costa Júnior (foto em destaque), será submetido à audiência de instrução nesta quarta-feira (6/5). O crime ocorreu em 13 de julho de 2025, em Águas Lindas de Goiás, Entorno do Distrito Federal.
A família de Joice Daniela de Azevedo Vieira, de 29 anos, acompanha o andamento do processo com expectativa por justiça. Segundo a irmã da vítima, a defesa do acusado tentou alegar problemas psicológicos, mas a tese foi rejeitada pela Justiça por falta de comprovação.
“O juiz foi claro ao afirmar que não existem provas médicas ou técnicas que sustentem essa alegação. Isso reforça aquilo que sempre soubemos: minha irmã teve sua vida tirada de forma cruel, e o responsável deve responder por isso”, afirmou Jane Kezia Vieira.
Desde o feminicídio, os familiares enfrentam um período de luto. Joice deixou quatro filhos, que, segundo a irmã, ainda lidam com os traumas da perda.
“As crianças têm pesadelos, choram, sentem muita falta da mãe e ainda estão tentando entender tudo o que aconteceu. Estamos todos abalados e muitos de nós precisaram buscar ajuda psicológica e até medicamentosa para suportar essa dor”, relatou.
A violência do caso agravou ainda mais o impacto emocional na família. De acordo com o relato, o crime ocorreu de forma brutal e na presença de dois dos filhos de Joice, sendo que um deles também acabou ferido na ocasião.
“Foi um ato cruel, que destruiu uma família inteira e deixou marcas profundas. Saber que tudo isso poderia ter sido evitado revolta ainda mais”, disse Jane.
Diante da dor e das consequências irreversíveis, a família afirma que seguirá acompanhando cada etapa do processo judicial. “As nossas vidas nunca mais serão as mesmas. O que nos resta agora é buscar justiça. Por ela, pelos filhos dela e por tudo o que foi destruído”, declarou a irmã.
A audiência desta quarta-feira marca o início da fase de instrução do processo, quando serão ouvidas testemunhas e reunidas provas.
Para a família, o momento representa mais um passo na busca por responsabilização. “Continuamos firmes, lutando para que a justiça seja feita. Não é só por ela, mas por todas as mulheres que não podem mais falar”, concluiu.
Relembre o caso
Joice e Flavia haviam se conhecido há cerca de oito meses. De acordo com a família dela, os dois nunca chegaram a assumir um relacionamento sério.
No dia do crime, ele teria levado a mulher e dois filhos dela à força para a residência dele. O homem suspeitava que a vítima estaria se relacionando com um vizinho dele, versão que é contestada pelos familiares dela.
Em um ataque de fúria, o acusado se dirigiu ao apartamento do vizinho, Edson Nunes de Araújo, de 46 anos, e efetuou disparos de arma de fogo contra ele, que morreu no local. Um pintor que prestava serviço na residência dele também foi baleado e chegou a ser hospitalizado.
Câmeras de segurança registraram o momento em que Joice pulou do seu apartamento pela janela buscando fugir de Flavio, que foi atrás dela e a arremessou, com brutalidade, de volta para dentro do imóvel. Nesse meio tempo, conforme a polícia, o homem matou a mulher a tiros na frente de dois dos filhos dela.
Veja as imagens do crime e da fuga:
Na época, o homem mandou um áudio a familiares da ex: “Passei fogo nos dois, mano. Tem que respeitar. Nóis não é comédia não, mano”. Em seguida, o feminicida disse: “Se eu trombar com a polícia, vou trocar tiro”.
Após quase quatro meses foragido, o autor do crime foi preso pela Polícia Nacional do Paraguai portando documentos falsos em novembro do ano passado, em Amambay, distrito da cidade Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
“O pior aconteceu”
Cerca de um mês antes de ser assassinada pelo homem com quem se relacionava, Joice escreveu uma carta em que relatava ter sido agredida e expressava o medo de ser morta por Flavio.
Na carta escrita e assinada a próprio punho, Joice descreve uma briga física com o ficante, em 16 de junho. O bilhete foi achado por parentes dela, após o feminicídio, no apartamento em que a jovem morava.
A vítima narra que, na ocasião, foi agredida e ameaçada pelo ex-ficante. “Caso aconteça algo comigo, vocês vão estar cientes de quem foi o culpado”, escreveu.
Na mesma data, uma vizinha teria interferido na briga e, nesse momento, Flavio André deixou a casa de Joice Daniela.
Ela também confessou ter medo de que ele a matasse. “[Ele] possui duas armas de fogo […]. Se alguém vir esta carta, é porque o pior aconteceu. Então, por favor, façam justiça”, pediu a jovem.
Ao terminar a carta, ela ainda disse que o Flavio era “um monstro, manipulador e doente”.








