Segunda-feira, 17/08/26

‘Foi daqui que tirei o meu sustento’: demitidos da Casas Bahia falam nas redes sociais

‘Foi daqui que tirei o meu sustento’: demitidos da Casas Bahia falam nas redes sociais
‘Foi daqui que tirei o meu sustento’: demitidos da Casas – Reprodução

“Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, diz Edson Silva, funcionário da loja localizada no município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai.

Em vídeo que viralizou no Instagram nos últimos dias, Silva agradece a chefes, amigos, clientes e à própria Casas Bahia. “Foi daqui que tirei o meu sustento, foi daqui que criei meus filhos, foi daqui que formei minha filha”, afirma, emocionado.

Silva é um dos muitos funcionários que foram às redes sociais para desabafar sobre a demissão em massa e o fechamento de 298 lojas da varejista, que entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (16), após anunciar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no período entre abril e junho. O Grupo Casas Bahia declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

O grupo informa no pedido de recuperação judicial a demissão de cerca de 3.000 funcionários, de 30.117 colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas —segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio mais de 65.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, a varejista dispensou quase 2.000 pessoas na semana passada.

No balanço, a rede disse que está revisando seu quadro de colaboradores para ajustá-lo ao novo tamanho da operação, além de contratos, despesas e investimentos, “buscando uma estrutura de custos compatível com o nível esperado de atividade e geração de caixa.”

Em Salvador, em vídeo postado na última sexta (14), outro funcionário, com quase 14 anos de casa, afirma que a maior parte das lojas da Casas Bahia da capital baiana fechou.

“Infelizmente a maioria das Casas Bahia de Salvador fechou, demissão em massa, inclusive a loja onde eu trabalho”, diz ele. “Vida que segue, emprego não é casa de ninguém. Deus abençoe a mim e aos meus colegas, e agradeço a clientes e amigos.”

Em outro vídeo no Instagram, publicado na quinta-feira (13), um colaborador conta que trabalhava há sete anos na rede varejista, enquanto filma a loja vazia ao fundo e colegas se abraçando. “É triste, mas é a realidade.”

No LinkedIn, os relatos são de que as demissões em massa atingiram funcionários de todos os setores e durações de contrato.

“Acabaram de encerrar todos os contratos de todas as consultorias de tecnologia, acredito que mais de 200 profissionais de tecnologia”, disse um prestador de serviços ao comentar uma postagem da varejista.

Após as demissões feitas pela rede, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) afirmou que vai entrar com ação coletiva contra a empresa. A entidade pedirá a reintegração dos funcionários e indenização por dano moral. O motivo seria a forma como as demissões foram conduzidas.

Segundo o sindicato, não houve diálogo, e muitos funcionários saíram para trabalhar e encontraram as lojas fechadas, sem qualquer aviso ou acolhimento.

T LB

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