Sábado, 10/10/26

Fumaça de incêndios florestais da Indonésia atinge ao menos 4 países

Fumaça de incêndios florestais da Indonésia atinge ao menos 4 países
Fumaça de incêndios florestais da Indonésia atinge ao menos 4 – Reprodução

O Sudeste Asiático está tomado pela fumaça dos incêndios florestais que se espalharam pela Indonésia nos últimos meses. Moradores de ao menos quatro países vizinhos —Malásia, Singapura, Filipinas e Brunei— estão sofrendo há semanas com a neblina cinzenta que tomou a paisagem e provoca danos à saúde.

A Malásia fechou escolas na sexta-feira (9), devido à queda na qualidade do ar, que ficou entre as piores do mundo. A ministra da Educação da Malásia, Fadhlina Sidek, determinou o fechamento das instituições em quatro estados e dois territórios federais. Houve, ainda, fechamento parcial em Pahang, no centro do país, e em três distritos do estado de Perak, no oeste.

A qualidade do ar em Kuala Lumpur permaneceu em “níveis insalubres” nesta semana. Na maioria dos dias, a empresa suíça de monitoramento da qualidade do ar IQAir classificou a capital malaia entre as metrópoles mais poluídas do mundo.

Na vizinha Singapura, os níveis de qualidade do ar estavam próximos da faixa considerada “muito insalubre” na sexta, segundo dados oficiais da cidade-estado.

A Agência Nacional do Meio Ambiente informou que acionaria um plano de emergência e distribuiria ao público máscaras adequadas à proteção contra a fumaça caso a qualidade do ar piorasse. O órgão afirmou que máquinas de venda de máscaras também seriam disponibilizadas em terminais de transporte público e unidades de assistência social.

O sul das Filipinas também está sendo afetado e o Departamento de Meio Ambiente e Recursos Naturais recomendou que a população evite atividades ao ar livre nas regiões afetadas pela névoa tóxica e o uso de máscaras N95.

A recomendação também foi emitida em Brunei, que faz fronteira com a Indonésia na ilha de Bornéu, um dos locais mais afetados pelo fogo. A qualidade do ar no país estava em níveis moderados na manhã de sábado (no horário local, noite de sexta-feira no Brasil), segundo o portal local Borneo Bulletin.

Dados de satélite do Serviço de Monitoramento Atmosférico, do observatório climático Copernicus, mostram que a poluição por aerossóis gerados pela queima de vegetação também atingiu partes de Papua-Nova Guiné, Timor Leste e o extremo sul da Tailândia.

Os incêndios levaram a dezenas de milhares de casos de doenças respiratórias na Indonésia. A densa camada de poluição também limitou as atividades ao ar livre e forçou o fechamento temporário de escolas em diferentes partes do país desde meados de agosto.

As queimadas geram uma série de poluentes que podem permanecer no ar por semanas, como monóxido de carbono e ozônio, além de aerossóis conhecidos como PM2,5. Um dos principais componentes da fumaça, quando essas partículas são inaladas penetram no pulmão e na corrente sanguínea, permanecendo no corpo por meses após a exposição.

DANO AMBIENTAL

Assim como no Brasil, as queimadas na Indonésia estão associadas ao desmatamento. No caso do país asiático, a floresta é derrubada e as turfeiras são drenadas para uso em grandes plantações, desde monoculturas de dendezeiros à árvores para produção de celulose.

Após o desmate, a queima das turfeiras pode provocar incêndios devastadores, que ardem no subsolo durante semanas e são difíceis de extinguir. O fogo persistente nas regiões de Bornéu, Sumatra e Kalimantan gerou uma névoa tóxica que se espalhou por todo o Sudeste Asiático.

Uma análise do Greenpeace identificou 2.951 focos geradores de fumaça em áreas de turfeiras entre 8 de agosto e 20 de setembro. “Concessões para plantios permitiram que empresas desmatassem e drenassem essas áreas. A análise detectou 859 focos geradores de fumaça em 115 concessões de exploração florestal e 774 focos em 210 concessões de óleo de palma”, diz a ONG ambiental, em comunicado.

Especialistas afirmam que as práticas de desmate e queimada e o ressecamento das turfeiras tornaram áreas que antes eram resistentes cada vez mais suscetíveis ao fogo. O projeto Nusantara Atlas, que utiliza monitoramento por satélite, estimou que quase 8.960 km² haviam sido queimados no país até o fim de agosto. O número, porém, pode ser subestimado e a ausência de dados oficiais dificulta o monitoramento.

Em geral, a temporada de seca na Indonésia vai de abril a setembro, mas a estiagem é intensificada e prolongada pelo El Niño. Altas temperaturas e ventos fortes ajudam a espalhar as chamas e a fumaça.

A temporada atual, intensificada por um forte El Niño, faz lembrar dos incêndios de 2015 na Indonésia. Considerado um dos piores desastres ambientais da história moderna, as queimadas daquele ano, também alimentadas pelo clima trazido pelo El Niño, liberaram diariamente mais CO₂ do que toda a economia dos Estados Unidos.

T LB

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