Uma funcionária de um hospital municipal de Campinas, no interior de São Paulo, foi presa em flagrante na manhã de quinta-feira (7) por suspeita de injúria racial. Ela teria xingado uma colega de “negra encardida e fedorenta”, durante uma discussão.
A reportagem ligou para o advogado Clayton Florencio dos Reis, que defende a suspeita, às 10h36 e às 12h39, mas as chamadas não foram atendidas.
O caso ocorreu na Unidade Pediátrica Mário Gattinho, na avenida das Amoreiras, no Parque Itália.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima, uma técnica de enfermagem de 27 anos, entrou na cozinha da unidade de saúde para tomar café e passou a conversar com Dulcineia Aparecida Pires. As duas se desentenderam e, durante a discussão, Dulcineia xingou a colega, conforme o registro policial.
A Guarda Municipal foi acionada e Dulcineia admitiu as ofensas. Ainda segundo o registro policial, mesmo diante da equipe, o comportamento hostil e as ofensas persistiram.
As duas mulheres foram levadas para o plantão do 1º DP, no centro, onde a ocorrência foi registrada.
Dulcineia foi presa em flagrante, sem direito ao pagamento de fiança.
Ela passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (8), onde foi concedida a liberdade provisória, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas, a investigada precisa comparecer a todos os atos do processo a que for intimada, não pode se mudar ou se ausentar da cidade sem autorização e não pode manter contato com a vítima, mesmo que por meio de terceiros.
A Rede Mário Gatti afirmou que decidiu pelo afastamento da servidora, que também vai responder a processo ético e disciplinar. De acordo com o que for apurado pela Polícia Civil, esse processo pode levar à sua exoneração.
A gestão do prefeito Dário Saadi (Republicanos) disse que disponibilizará à vítima todo o atendimento necessário em sua rede de acolhimento especializada nesses tipos de casos.
“A Prefeitura de Campinas destaca que repudia e não compactua com qualquer tipo de ato de discriminação. Além disso, mantém uma série de políticas, equipamentos e canais para apoiar ações antirracistas”, afirmou.
De acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), o caso foi registrado como preconceito de raça ou de cor (injúria racial), de acordo com a Lei 7.716/89, no 1º DP de Campinas. Um inquérito foi instaurado para investigar o caso.








