Funcionários do Nubank expressaram forte oposição ao plano da empresa de adotar um modelo de trabalho híbrido, através de um manifesto divulgado na última quarta-feira (12). Segundo os relatos, a transição para o regime presencial impactará profundamente a vida pessoal e profissional de muitos, que haviam aceitado as vagas no banco justamente pela possibilidade de trabalhar remotamente.
De acordo com os manifestantes, a exigência de comparecer ao escritório duas vezes por semana a partir de julho de 2026, e três vezes a partir de janeiro de 2027, criará dificuldades significativas, especialmente para aqueles que precisam conciliar o trabalho com o cuidado de filhos, pais ou outros familiares. Muitos funcionários relatam ter organizado suas vidas financeiras e familiares em outras cidades, inclusive com a compra de imóveis e assinatura de contratos de aluguel, contando com a flexibilidade do home office.
A insatisfação foi o tema central de uma plenária virtual organizada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que reuniu cerca de 300 participantes. Durante o encontro, foram feitas críticas à forma como a mudança foi comunicada, questionamentos sobre a falta de diálogo e preocupações com possíveis demissões por justa causa.
O manifesto também destaca estudos que apontam um impacto desproporcional da medida sobre cuidadores de pessoas com deficiência. Além disso, argumenta que o deslocamento para grandes centros urbanos pode reduzir a renda disponível e afetar a qualidade de vida dos funcionários.
A reação dos trabalhadores ganhou força após o anúncio da adoção do modelo híbrido. No mesmo dia, 12 funcionários foram demitidos por justa causa. Segundo comentários feitos nas redes sociais, os desligamentos teriam ocorrido por excessos cometidos em ambiente profissional. Os trabalhadores alegam que as demissões impactaram principalmente pessoas de grupos minorizados, intensificando a mobilização.
Entre as reivindicações dos funcionários, está a reversão da política de retorno ao presencial, maior transparência nos critérios para concessão de exceções e a suspensão de advertências e punições aplicadas após manifestações contrárias à decisão. A reintegração dos demitidos é vista como condição mínima para iniciar negociações. Os trabalhadores defendem a construção de um acordo coletivo com regras claras e estáveis, garantindo previsibilidade para aqueles que foram contratados em regime remoto.
O sindicato orientou os trabalhadores a registrarem denúncias pelos canais oficiais, com garantia de sigilo, e anunciou uma nova reunião com a direção do Nubank. A entidade informou que poderá entrar com ação judicial caso não haja avanço nas negociações, além de pleitear novas plenárias, consolidar relatos para envio ao RH e, se necessário, buscar mediação em órgãos públicos.
O Nubank, por sua vez, afirma que mantém o diálogo aberto e transparente com todas as entidades representativas apropriadas. A instituição esclarece que a transição para o modelo híbrido foi planejada para combinar “o melhor do presencial e do remoto”, com implementação gradual. O banco afirma que a mudança busca “fortalecer a cultura, aumentar colaboração e acelerar inovação”, oferecendo suporte à realocação e analisando exceções para casos específicos. A empresa reforça que o trabalho presencial será o novo padrão para a maior parte das equipes e que continua a avaliar todos os feedbacks recebidos pelos funcionários.
Fonte: g1.globo.com








