O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quinta-feira (24) estar preocupado com a oferta de crédito predatório (oferta indiscriminada, sem análise sobre a capacidade de pagamento e com altas taxas de juros) e defendeu medidas preventivas e de transparência contra o endividamento dos brasileiros.
Ele ressaltou que, das cerca de 100 milhões de pessoas que têm dívidas no cartão de crédito, metade paga juros próximos a 15% ao mês, com alto comprometimento de renda. “Se não tiver medidas macroprudenciais, dificilmente essas pessoas vão conseguir escapar desse ciclo […] medidas preventivas, de transparência, que criem consciência por questões de cidadania financeira.”
No relatório de política monetária, o BC ressaltou que os níveis elevados de endividamento e de custo do crédito seguem pressionando o comprometimento de renda das famílias.
De acordo com a autoridade monetária, o endividamento mantém-se em patamar historicamente alto desde o fim de 2021 e atingiu 49,9% em janeiro, recorde da série, com relativa estabilidade desde então.
Nesse cálculo, o BC considera o saldo das dívidas das famílias no mês de referência, neste caso fevereiro, em relação à renda disponível acumulada nos últimos 12 meses.
O comprometimento da renda, por sua vez, aumentou nos últimos meses, alcançando 28,9% em junho, o maior valor da série. Nesse caso, o cálculo considera o saldo das dívidas em relação à renda mensal das famílias.
“O processo de inclusão bancária, aliado a inovações tecnológicas e a condições favoráveis no mercado de trabalho, impulsionou o acesso das famílias ao crédito, contribuindo para a elevação do endividamento e do comprometimento de renda nos últimos anos”, disse.
“Mais recentemente, o aumento do custo do crédito ao longo do ciclo de aperto monetário e a expansão da demanda por crédito emergencial, tipicamente mais caro, também contribuíram para a elevação do comprometimento da renda ao nível recorde atual”, acrescentou.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, um aperto nas regras de capital das instituições financeiras entrou no radar do mercado após o BC sinalizar que vai adotar medidas para conter o avanço do endividamento e evitar uma crise de crédito na economia brasileira.
Uma das ações esperadas por dirigentes do setor é a alteração do chamado FPR (Fator de Ponderação de Risco) para as operações de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia (não consignado).







