Sábado, 06/12/25

Gaza: violência persiste com 271 mortos após um mês de cessar-fogo

Um mês após o estabelecimento de um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, a região ainda enfrenta um cenário de violência, com relatos de 271 palestinos mortos, segundo informações divulgadas pelo Hamas. Além das fatalidades, 622 pessoas ficaram feridas em decorrência de bombardeios e disparos, incluindo 221 crianças.

O Hamas divulgou uma nota detalhando que, entre as vítimas fatais, 107 eram crianças, 39 mulheres e 9 idosos, representando 58% do total. O grupo político-militar classificou o ocorrido como uma “política contínua de assassinato sistemático contra civis desarmados”.

Paralelamente, o Hamas alega que a ajuda humanitária destinada à região não está sendo entregue na totalidade. O acordo previa a entrada de 600 caminhões por dia, incluindo 50 caminhões-tanque de combustíveis, mas o grupo islâmico afirma que apenas 40% da ajuda prevista chegou a Gaza no período. Segundo o Hamas, remessas comerciais foram contabilizadas como ajuda humanitária.

O grupo também acusa Israel de deter 35 moradores de Gaza, incluindo pescadores, e de demolir casas na área, resultando na destruição de propriedades civis.

Em contrapartida, Israel acusa o Hamas de violar o cessar-fogo. A Força de Defesa de Israel (FDI) alega que indivíduos cruzaram a linha amarela e realizaram ataques, representando uma ameaça às tropas israelenses. A FDI informou ter identificado “dois terroristas” se aproximando de suas tropas no sul da Faixa de Gaza. O Hamas nega as acusações.

A ajuda humanitária fornecida pela Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) continua enfrentando bloqueios por Israel, apesar do parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que obriga Israel a permitir a entrada dos suprimentos da UNRWA em Gaza. O Hamas denuncia que o governo israelense impede a entrada da assistência humanitária da UNRWA, resultando no acúmulo de mais de 6.000 remessas de suprimentos essenciais.

Israel alega que a UNRWA apoia o Hamas, mas a CIJ avaliou que o governo israelense não comprovou a acusação contra a agência da ONU.

Segundo dados da ONU, 3,2 mil caminhões com ajuda humanitária foram entregues neste um mês de cessar-fogo, nenhum deles da UNRWA. Apesar das restrições, a distribuição de refeições quentes, pão e cestas básicas tem aumentado gradualmente.

O Escritório da ONU para Ajuda Humanitária (Ocha) reclama da falta de acesso seguro ao mar para os pescadores e das restrições à entrada de insumos agrícolas. Desde o início do cessar-fogo, 23 pedidos de agências de ajuda humanitária para levar suprimentos de abrigo para Gaza foram rejeitados pelas autoridades israelenses. A entidade também informa que nenhuma ajuda entrou diretamente no norte de Gaza por qualquer passagem norte há 57 dias.

O governo de Israel exige a devolução dos restos mortais de quatro reféns mortos em 7 de outubro de 2023. O ministro da Defesa israelense afirmou que o objetivo é destruir todos os túneis do Hamas em Gaza e desmilitarizar completamente a região.

O Hamas alega que não foi possível encontrar os restos mortais de todos os reféns devido à destruição da infraestrutura e à falta de equipamentos de escavação. O grupo afirma ter localizado 24 dos 28 corpos e fornecido as coordenadas para a localização de outros corpos em áreas sob controle das forças israelenses.

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