Segunda-feira, 11/05/26

GDF apoia lançamento de game pós-apocalíptico no Brasília Game Festival

GDF apoia lançamento de game pós-apocalíptico no Brasília Game Festival
GDF apoia lançamento de game pós-apocalíptico no Brasília Game Festival – Reprodução

Um futuro submerso, com submarinos e sobreviventes reconstruindo a humanidade em um oceano hostil, é o cenário do jogo A Tale of Silent Depths. Desenvolvido pelo estúdio independente Crit42 Studio, o título recebeu apoio do programa Start BSB, da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), e representa a expansão da indústria criativa brasiliense. O game, acompanhado de um livro inspirado no mesmo universo, será lançado durante o Brasília Game Festival, nos dias 15, 16 e 17 de maio, na Arena BSB Mané Garrincha. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site do evento.

“A Tale of Silent Depths surgiu como um jogo que eu sempre quis jogar. Sou fã de RPGs e gêneros como rogue-like. A ideia era criar uma experiência contemplativa, de exploração e solidão em um mundo pós-apocalíptico submerso”, relata Eduardo dos Santos Azevedo, criador do jogo e autor do livro derivado.

O projeto foi selecionado para o eixo II do Start BSB, focado na incubação de startups. Iniciado em 2025, o programa do Governo do Distrito Federal (GDF) visa fomentar negócios de tecnologia e inovação ao longo de três anos, com investimento de R$ 43 milhões. São três eixos: ideação, incubação e aceleração.

Cristiane Pereira, presidente do Instituto Multiplicidades, explica que o Start BSB cria uma trilha contínua para startups do DF. Na incubação, as empresas recebem R$ 110 mil e suporte completo, incluindo administrativo, jurídico, contábil, marketing, design e mentorias. “O programa ajuda não apenas financeiramente, mas também a pensar estratégias de mercado e internacionalização. São novos CNPJs nascendo no Distrito Federal, gerando emprego, renda e ampliando a arrecadação local”, destaca.

No jogo, o planeta foi inundado após o derretimento das calotas polares, e a humanidade sobrevive em submarinos séculos depois. “É quase uma proposta ambiental de design fiction, imaginando futuros possíveis por meio da narrativa”, afirma Eduardo, que celebra o lançamento após anos de dedicação ao setor. “De todos os jogos que fiz, esse é o que mais me divertiu desenvolver e o que está tendo os melhores resultados. Ver as pessoas se conectando com esse universo aquece o coração”, diz.

O desenvolvedor enfatiza que o apoio do GDF foi decisivo. “Sem esse funding, o jogo não sairia tão cedo. Muitas vezes o mercado privado exige métricas imediatas que não permitem inovação. O Start BSB foi o ponto de virada”, afirma. Além do recurso financeiro, o programa oferece capacitação e visão de negócios.

O setor de games ganha protagonismo na economia criativa de Brasília, reunindo programação, design gráfico, roteirização, sonorização e gestão de projetos. O Distrito Federal é a sexta cidade brasileira em número de desenvolvedoras, com mais de 50 empresas ativas, segundo Samara Araújo, subsecretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF.

Uma das iniciativas é o Brasília Game Hub, na Asa Norte, em parceria com o Instituto Conecta Brasil. “O hub mobilizou R$ 35 milhões em potencial de investimentos em um ano e prepara estúdios para um mercado em expansão”, complementa Araújo.

Carlos Victor Mendes, responsável pelo hub, reforça o crescimento: nos últimos três anos, o número de estúdios passou de 20 para 60, com mais de 180 contratações diretas e faturamento superior a R$ 8 milhões. “É um mercado global que pode mudar a matriz econômica de Brasília, fomentando empregos e gerando impostos”, afirma. “Um jogo produzido aqui pode ser lançado nos Estados Unidos, fazer sucesso na Rússia e receber investimento de japoneses.”

T LB

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