Segunda-feira, 15/06/26

GDF apoia plano para Polo Criativo Tecnológico no Setor Comercial Sul

GDF apoia plano para Polo Criativo Tecnológico no Setor Comercial Sul
Setor Comercial Sul tem apoio do GDF para elaboração do plano do Polo Criativo Tecnológico – Reprodução

A Universidade Católica de Brasília (UCB) concluiu a entrega do estudo sobre o Polo Criativo Tecnológico do Setor Comercial Sul (SCS) em 14 de junho de 2026. O projeto, desenvolvido com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e a Universidade de Brasília (UnB), visa fortalecer a ocupação, a governança e o desenvolvimento urbano do centro de Brasília.

Estudo para o Polo Criativo Tecnológico no SCS

A iniciativa é apoiada pela FAPDF por meio do programa Desafio DF, com um investimento de R$ 1,5 milhão. O projeto reúne relatórios técnicos para a criação, estruturação e implementação do polo, apresentando diagnóstico, diretrizes de governança, plano estratégico, estudos urbanísticos e propostas de intervenção para o Setor Comercial Sul, uma das áreas centrais mais tradicionais de Brasília.

Localizado no centro da capital federal, o SCS possui intensa circulação de pessoas, diversidade de serviços, empresas e iniciativas culturais. Contudo, enfrenta desafios como imóveis ociosos, degradação percebida, baixa permanência de públicos em determinados horários e necessidade de qualificação dos espaços urbanos. Os relatórios indicam que este cenário requer ações integradas de planejamento, gestão compartilhada, ocupação qualificada e desenvolvimento econômico.

O diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, destacou que o estudo reforça a importância da produção de conhecimento aplicado para orientar políticas públicas baseadas em dados e evidências. “A maneira de se gerir políticas públicas é partir de evidências, de dados, de olhar atento à realidade para então construir o ecossistema de inovação da nossa cidade. E essas são características presentes neste estudo”, afirmou.

Etapas do Projeto e Planejamento Futuro

A primeira etapa do projeto consistiu na elaboração de um estudo diagnóstico sobre o SCS. A pesquisa mapeou o ecossistema criativo, tecnológico e social da região, utilizando dados quantitativos e qualitativos, entrevistas, grupos de discussão, cartografia social e observação de campo.

O diagnóstico identificou mais de 5,5 mil CNPJs registrados no local e realizou 482 entrevistas com estabelecimentos locais. O estudo também apontou a presença de atividades ligadas a serviços, comércio, alimentação, saúde, educação, cultura, tecnologia e economia criativa. O levantamento mostra que o polo já possui restaurantes, bares, cafés, pequenos comércios, centros culturais, galerias de arte, pequenos teatros, espaços de produção artística e eventos, além de atividades tecnológicas como desenvolvimento de software, consultoria, serviços administrativos e negócios criativos. A proposta é articular essas vocações existentes a novas oportunidades de ocupação, formação, empreendedorismo e inovação.

A segunda etapa focou na criação, estruturação e implantação do Polo Criativo Tecnológico. O relatório apresenta um plano estratégico para o período de 2026 a 2036, com diretrizes para governança, operação, sustentabilidade, infraestrutura, inclusão produtiva, indicadores, metas e carteira de projetos. O plano sugere que o Setor Comercial Sul seja visto como um ecossistema urbano, produtivo e cultural, com ações de curto, médio e longo prazo. Entre as propostas estão a criação de hubs, a reocupação de imóveis, o incentivo ao retrofit, a formação de talentos, a atração de novos negócios, a ampliação de serviços de apoio ao empreendedorismo e a estruturação de mecanismos de acompanhamento por dados. A proposta também considera a conexão do SCS a políticas e programas existentes no Distrito Federal, como ambientes de inovação, incubadoras, espaços maker, laboratórios, programas de pré-incubação e iniciativas de formação para negócios criativos e tecnológicos.

A terceira etapa foi dedicada ao desenvolvimento de um modelo urbanístico digital e físico para o SCS, com a participação do Pisac/UnB. Esta fase incluiu levantamentos sobre o espaço urbano existente, considerando aspectos arquitetônicos, urbanísticos, construtivos, de infraestrutura e paisagismo. O relatório inclui laudo técnico, levantamento topográfico, zoneamento urbano, construção de maquete física e maquete digital 3D. Apresenta cenários de intervenção para melhoria do espaço público, acessibilidade, mobilidade, qualificação das áreas de convivência, ocupação de imóveis subutilizados e integração do SCS com seu entorno.

O projeto também indica caminhos para a instalação de uma estrutura permanente de governança, com a participação de diferentes instituições e atores que atuam no SCS. O objetivo é fortalecer a coordenação das ações e criar condições para que a região seja ocupada de forma mais dinâmica, segura e conectada às novas economias.

De acordo com o professor da UCB Alexandre Schirmer Kieling, coordenador do projeto, a proposta busca reposicionar o SCS no imaginário da população e dos visitantes da capital. “O objetivo é posicionar o SCS como um território de prática cotidiana efervescente e reposicioná-lo como polo criativo tecnológico, no imaginário dos cidadãos e turistas do DF”, destacou.

Com a conclusão dos estudos, o projeto fornece uma base técnica para orientar os próximos passos da implementação do Polo Criativo Tecnológico do SCS. O material poderá apoiar decisões relacionadas à governança, ocupação, mobilidade, cultura, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico da área central de Brasília. Os relatórios completos do projeto estão disponíveis no site da FAPDF e podem ser acessados aqui.

T LB

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