A Universidade Católica de Brasília (UCB) concluiu a entrega do estudo sobre o Polo Criativo Tecnológico do Setor Comercial Sul (SCS) em 14 de junho de 2026. O projeto, desenvolvido com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e a Universidade de Brasília (UnB), visa fortalecer a ocupação, a governança e o desenvolvimento urbano do centro de Brasília.
Estudo para o Polo Criativo Tecnológico no SCS
A iniciativa é apoiada pela FAPDF por meio do programa Desafio DF, com um investimento de R$ 1,5 milhão. O projeto reúne relatórios técnicos para a criação, estruturação e implementação do polo, apresentando diagnóstico, diretrizes de governança, plano estratégico, estudos urbanísticos e propostas de intervenção para o Setor Comercial Sul, uma das áreas centrais mais tradicionais de Brasília.
Localizado no centro da capital federal, o SCS possui intensa circulação de pessoas, diversidade de serviços, empresas e iniciativas culturais. Contudo, enfrenta desafios como imóveis ociosos, degradação percebida, baixa permanência de públicos em determinados horários e necessidade de qualificação dos espaços urbanos. Os relatórios indicam que este cenário requer ações integradas de planejamento, gestão compartilhada, ocupação qualificada e desenvolvimento econômico.
O diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, destacou que o estudo reforça a importância da produção de conhecimento aplicado para orientar políticas públicas baseadas em dados e evidências. “A maneira de se gerir políticas públicas é partir de evidências, de dados, de olhar atento à realidade para então construir o ecossistema de inovação da nossa cidade. E essas são características presentes neste estudo”, afirmou.
Etapas do Projeto e Planejamento Futuro
A primeira etapa do projeto consistiu na elaboração de um estudo diagnóstico sobre o SCS. A pesquisa mapeou o ecossistema criativo, tecnológico e social da região, utilizando dados quantitativos e qualitativos, entrevistas, grupos de discussão, cartografia social e observação de campo.
O diagnóstico identificou mais de 5,5 mil CNPJs registrados no local e realizou 482 entrevistas com estabelecimentos locais. O estudo também apontou a presença de atividades ligadas a serviços, comércio, alimentação, saúde, educação, cultura, tecnologia e economia criativa. O levantamento mostra que o polo já possui restaurantes, bares, cafés, pequenos comércios, centros culturais, galerias de arte, pequenos teatros, espaços de produção artística e eventos, além de atividades tecnológicas como desenvolvimento de software, consultoria, serviços administrativos e negócios criativos. A proposta é articular essas vocações existentes a novas oportunidades de ocupação, formação, empreendedorismo e inovação.
A segunda etapa focou na criação, estruturação e implantação do Polo Criativo Tecnológico. O relatório apresenta um plano estratégico para o período de 2026 a 2036, com diretrizes para governança, operação, sustentabilidade, infraestrutura, inclusão produtiva, indicadores, metas e carteira de projetos. O plano sugere que o Setor Comercial Sul seja visto como um ecossistema urbano, produtivo e cultural, com ações de curto, médio e longo prazo. Entre as propostas estão a criação de hubs, a reocupação de imóveis, o incentivo ao retrofit, a formação de talentos, a atração de novos negócios, a ampliação de serviços de apoio ao empreendedorismo e a estruturação de mecanismos de acompanhamento por dados. A proposta também considera a conexão do SCS a políticas e programas existentes no Distrito Federal, como ambientes de inovação, incubadoras, espaços maker, laboratórios, programas de pré-incubação e iniciativas de formação para negócios criativos e tecnológicos.
A terceira etapa foi dedicada ao desenvolvimento de um modelo urbanístico digital e físico para o SCS, com a participação do Pisac/UnB. Esta fase incluiu levantamentos sobre o espaço urbano existente, considerando aspectos arquitetônicos, urbanísticos, construtivos, de infraestrutura e paisagismo. O relatório inclui laudo técnico, levantamento topográfico, zoneamento urbano, construção de maquete física e maquete digital 3D. Apresenta cenários de intervenção para melhoria do espaço público, acessibilidade, mobilidade, qualificação das áreas de convivência, ocupação de imóveis subutilizados e integração do SCS com seu entorno.
O projeto também indica caminhos para a instalação de uma estrutura permanente de governança, com a participação de diferentes instituições e atores que atuam no SCS. O objetivo é fortalecer a coordenação das ações e criar condições para que a região seja ocupada de forma mais dinâmica, segura e conectada às novas economias.
De acordo com o professor da UCB Alexandre Schirmer Kieling, coordenador do projeto, a proposta busca reposicionar o SCS no imaginário da população e dos visitantes da capital. “O objetivo é posicionar o SCS como um território de prática cotidiana efervescente e reposicioná-lo como polo criativo tecnológico, no imaginário dos cidadãos e turistas do DF”, destacou.
Com a conclusão dos estudos, o projeto fornece uma base técnica para orientar os próximos passos da implementação do Polo Criativo Tecnológico do SCS. O material poderá apoiar decisões relacionadas à governança, ocupação, mobilidade, cultura, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico da área central de Brasília. Os relatórios completos do projeto estão disponíveis no site da FAPDF e podem ser acessados aqui.








