Quinta-feira, 07/05/26

Governo Milei enfrenta corrupção e crise econômica na Argentina

Governo Milei enfrenta corrupção e crise econômica na Argentina
Governo Milei enfrenta corrupção e crise econômica na Argentina – Reprodução

O governo ultraliberal de Javier Milei vive seu pior momento na Argentina, marcado por escândalos de corrupção, queda na popularidade e retração na atividade econômica e industrial.

A inflação, que foi o principal trunfo do governo, voltou a acelerar. Após reduzir de dois dígitos no final de 2023 para cerca de 2% ao mês ao longo de 2025, os índices subiram para 3,4% em março de 2026. Milei reconheceu publicamente as dificuldades, afirmando que o dado é ruim em uma rede social.

A atividade econômica retraiu 2,6% em fevereiro de 2026 em comparação a janeiro, com queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses. A produção industrial registrou baixa de 4% no mesmo período, acumulando 8,7% de redução em um ano.

O economista Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), criticou o plano econômico de Milei como simplista. Segundo ele, a falta de confiança no peso argentino leva à dolarização de contratos, acelerando a inflação. A redução do Estado não resolve o problema, e o peso sobrevalorizado destrói a indústria. Gala alerta para o risco de desindustrialização, foco excessivo em agroexportações e possível recessão com nova crise cambial, agravada por empréstimos em dólares.

Casos de corrupção, como investigações sobre enriquecimento ilícito do chefe de gabinete Manuel Adorni envolvendo viagens de luxo e imóveis incompatíveis com sua renda, têm impactado a imagem do governo. Pesquisas mostram desaprovação acima de 60%, com a Atlas Intel registrando 63% de reprovação em abril de 2026 e aprovação de 35%. A consultoria Zentrix indica que 66,6% da população considera quebrada a promessa anti-casta de Milei, com a corrupção superando inflação e desemprego como principal desafio.

O cientista político Leandro Gabiati destacou que o discurso anticorrupção foi central na eleição de Milei em 2023, e casos envolvendo altos funcionários desgastam o governo. Embora haja reconhecimento na redução da inflação anual para 30% a 40%, os preços continuam subindo. A oposição desorganizada favorece Milei, apesar de problemas a resolver antes das eleições de 2027.

Em nota positiva, a Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva estável, reconhecendo melhorias fiscais e na balança externa. Isso impulsionou a bolsa de Buenos Aires em alta nesta quarta-feira (6). No entanto, Gala avalia que isso não altera o quadro geral.

O governo também enfrentou críticas por restringir o acesso da imprensa à Casa Rosada no final de abril de 2026, afetando cerca de 60 jornalistas. Após acusações de violação à liberdade de imprensa, a sede foi reaberta na segunda-feira (3), com restrições mantidas.

*Com informações da Agência Brasil

T LB

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