Sexta-feira, 03/07/26

Governo pede desculpas por desaparecimento de ex-aluno da UnB

Governo pede desculpas por desaparecimento de ex-aluno da UnB
Governo pede desculpas por desaparecimento de ex-aluno da UnB – Reprodução

Após quase 45 anos, o governo brasileiro pediu desculpas publicamente pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e vítima da repressão da ditadura militar aos 27 anos. A cerimônia ocorreu na própria universidade, com a presença de familiares, ex-colegas, integrantes da comunidade acadêmica e membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos na ditadura e da Comissão de Anistia.

O pedido foi apresentado como um gesto de reparação simbólica às vítimas da violência de Estado e às suas famílias. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a iniciativa também busca promover uma reparação dirigida à população brasileira.

Natural de Morrinhos (GO) e filho de Pedro Celestino da Silva, deputado federal cassado pelo AI-5, Paulo de Tarso concluiu o curso de Direito em 1969. Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), ele fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França. O ex-estudante foi considerado morto pela Lei 9.140, de 1995, que reconhece a morte de pessoas detidas por agentes públicos durante a ditadura.

De acordo com informações do portal Memórias da Ditadura, mantido pelo Instituto Vladimir Herzog, Paulo de Tarso desapareceu em 12 de julho de 1971, após ser capturado, junto com Heleny Ferreira Telles Guariba, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-CODI do I Exército. O depoimento da ex-presa política Inês Etienne Romeu acrescentou relatos sobre o desaparecimento dos dois e apontou que o ex-estudante foi levado ao centro clandestino mantido pelo Centro de Inteligência do Exército (CIE) em Petrópolis, a chamada “Casa da Morte”, onde teria sido submetido a sessões de tortura.

Na cerimônia, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, fez o pedido oficial de desculpas e afirmou que o Estado brasileiro reconhece sua responsabilidade pelas graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura. Ela disse ainda que o momento serve para que o país tenha acesso à história de Paulo de Tarso e de outras vítimas do regime.

A reitora da UnB, Rozana Naves, destacou as agressões sofridas pelas universidades durante a ditadura e afirmou que a memória de Paulo de Tarso representa a defesa da liberdade de pensamento, da autonomia universitária e da luta contra o autoritarismo. Segundo ela, a presença no ato também reafirma o compromisso com liberdade, pensamento crítico, justiça, democracia e compromisso com o país.

T LB

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