Sábado, 10/10/26

Governo retira hidrovia do Rio Tapajós de lista de concessões previstas até 2030

Governo retira hidrovia do Rio Tapajós de lista de concessões previstas até 2030
Governo retira hidrovia do Rio Tapajós de lista de concessões – Reprodução

O Ministério de Portos e Aeroportos apresentou na quinta-feira, 8, a agenda de concessões para o ciclo 2027/2030. A concessão de serviços hidroviários para manutenção da navegabilidade na hidrovia do Rio Tapajós foi retirada da carteira depois de impasses entre as áreas técnicas do Executivo.

A discussão sobre a dragagem da hidrovia opõe a defesa da ampliação da infraestrutura logística, considerada estratégica para o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte, a preocupações ambientais e sociais relacionadas à intervenção no rio.

Para setores produtivos, a manutenção da navegabilidade pode reduzir riscos operacionais e dar maior previsibilidade ao transporte fluvial, em especial com a iminência de um El Niño que deve levar uma seca severa ao Norte do País a partir de 2027 As áreas técnicas dos Ministérios de Portos e Aeroportos e dos Transportes defendem o processo.

Já organizações indígenas e socioambientais questionam os impactos da atividade sobre os ecossistemas e os territórios de comunidades tradicionais, além de cobrarem consulta prévia às populações afetadas, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério dos Povos Indígenas se opõem à concessão. As pastas ganharam a disputa interna e conseguiram adiar a concessão.

A controvérsia ganhou força após protestos indígenas levarem à suspensão da contratação da dragagem em fevereiro de 2026, enquanto questionamentos do Ministério Público Federal sobre licenciamento ambiental e consulta às comunidades ampliaram a discussão sobre os requisitos para a execução das obras.

A retirada do projeto da carteira de investimento recomendada para o próximo ciclo adia ainda mais as discussões sobre o serviço. Foram mantidos os projetos de concessão das hidrovias do Rio São Francisco, do Rio Paraguai (Tramo Sul), do Rio Madeira, do Rio Tocantins, da Lagoa Mirim e da Hidrovia Verde.

A carteira de obras públicas e manutenção de infraestrutura do setor também contempla intervenções operacionais e de dragagem em vias estratégicas como os rios Amazonas, Solimões, Tietê (com obras de derrocamento em Nova Avanhandava) e o Pedral do Lourenço, além da conservação e construção de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4s) nos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Pará.

Estadão Conteúdo

T LB

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