Terça-feira, 12/05/26

Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, entra com pedido de recuperação judicial

Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, entra com pedido de recuperação judicial
Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, entra com – Reprodução

O Grupo Toky, dono das redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12) em meio ao agravamento de sua crise financeira e operacional, após meses de aumento das reclamações de consumidores sobre atrasos nas entregas, dificuldades para obter reembolso e falhas de atendimento.

“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou em comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

De acordo com o grupo, a situação “exige a adoção urgente de medidas adicionais destinadas a preservar suas atividades, proteger sua liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de seu endividamento e de sua estrutura de capital”.

As ações da empresa derretem na Bolsa de Valores brasileira. Por volta das 12h, os papéis eram negociados a R$ 0,17, queda de 41%. Na mínima do pregão, as ações chegaram a cair 45%.

Entre 10h e 11h, as ações entraram em leilão, mecanismo em que as operações com um ativo são temporariamente suspensas devido à alta volatilidade. No acumulado do ano, os papéis tem queda de 79%.

A empresa disse que o pedido de recuperação judicial, autorizado pelo conselho de administração, busca “resguardar a companhia e as suas controladas, viabilizar a continuidade de suas atividades, preservar os serviços por elas prestados, preservar seu valor e sua função social, bem como criar condições para a negociação e implementação de solução adequada para suas obrigações”.

O pedido foi ajuizado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça.

O avanço dos problemas já vinha sendo percebido pelos clientes da varejista, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo. Entre as principais queixas relatadas estavam demora na entrega de produtos, ausência de devolução de valores pagos e dificuldade de comunicação com a empresa.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Victor Noda, CEO do grupo Toky, afirmou que a rede enfrentava problemas de integração desde que a Mobly propôs a compra da Tok&Stok, em agosto de 2024. A operação marcou uma tentativa de reorganização da companhia em meio à deterioração do negócio.

Fundada em 1978 pelo casal francês Ghislaine e Régis Dubrule, a Tok&Stok se consolidou no mercado brasileiro como referência em móveis e itens de decoração voltados às classes A e B, apostando em design contemporâneo e lojas de grande porte em bairros nobres e shopping centers.

O crescimento, porém, foi acompanhado de um aumento do endividamento da companhia. Em 2012, os fundadores venderam o controle da empresa para a gestora de private equity Carlyle.

Já a Mobly, empresa baseada no comércio eletrônico e mais direcionada ao público de classe C, também passou a enfrentar dificuldades após o forte crescimento registrado durante a pandemia de Covid-19.
Com a desaceleração do consumo digital no pós-pandemia, o setor de móveis passou a conviver com margens mais pressionadas e queda na demanda.

O pedido de recuperação judicial ocorre em um cenário de retração do varejo de bens duráveis e de maior seletividade do consumidor, afetando empresas dependentes de crédito e de logística complexa.

MUDANÇAS NO CONSELHO

Na noite de segunda-feira (11), o grupo Toky havia informado que quatro fundos geridos pela SPX Private Equity estavam em “estágio avançado de negociações” para a venda da totalidade de suas participações em ações e bônus de subscrição da empresa, conforme comunicado ao mercado.

De acordo com o documento, os fundos anunciaram que Fernando Porfirio Borges renunciaria ao cargo no conselho de administração em razão das negociações.

Em outro comunicado também enviado na noite de segunda-feira, o grupo disse que Felipe Fonseca Pereira também renunciou ao seu cargo no conselho de administração da companhia.

Para ocupar essas vagas, a empresa elegeu interinamente Fabio Ferrante, como conselheiro, e André França, como conselheiro independente.
RAIO-X GRUPO TOKY
Fundação: 1978
Sede: São Paulo
Funcionários: 1.800
Marcas: Tok&Stok, Mobly e Guldi
Lojas: 65 (50 Tok&Stok e 15 Mobly); 3 CDs (SP, MG e SC)
Presença: 21 estados e DF (Tok&Stok); São Paulo (Mobly)
Receita líquida: R$ 1,5 bilhão
Principais concorrentes: Camicado, Mercado Livre, Westwing e Madeira Madeira, além de grandes varejistas de móveis

T LB

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