Iniciativa para qualificar o atendimento
O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) iniciou nesta terça-feira (20), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Planaltina, um projeto piloto de capacitação voltado às equipes assistenciais das UPAs. A iniciativa busca evitar que feridas na pele evoluam para infecções graves, aumentem o tempo de internação e dificultem a recuperação do paciente.
Objetivos do projeto
A iniciativa é conduzida pela Comissão de Cuidados com a Pele do Hospital de Base e pretende ampliar o suporte às equipes que atuam nas unidades de urgência, fortalecendo a identificação precoce de feridas e o tratamento adequado logo no início do atendimento.
De acordo com a enfermeira especialista em tratamento de feridas e integrante da comissão, Giselle Dias de Miranda, o projeto surgiu após a equipe identificar que muitos pacientes encaminhados pelas UPAs já chegavam ao Hospital de Base com lesões agravadas. “Percebemos que muitos pacientes chegavam das UPAs já com feridas avançadas e, muitas vezes, sem o cuidado adequado. São situações que evoluem rápido, podem causar infecções graves e acabam prolongando a internação. O que queremos é antecipar esse cuidado para que esse paciente tenha uma recuperação mais rápida e consiga sair da unidade com mais qualidade de vida”, destaca.
Durante o treinamento, os profissionais receberam orientações sobre cuidados com feridas, identificação precoce de lesões em pacientes acamados, protocolos de atendimento e uso correto dos materiais disponíveis na rede. Um dos temas abordados foi o método Timers, ferramenta que ajuda os profissionais a avaliarem não apenas a lesão, mas também as condições gerais do paciente, incluindo fatores clínicos, rotina de cuidados e continuidade do tratamento após a alta.
Para o coordenador de enfermagem da UPA de Planaltina, Brenner Momente e Silva, o treinamento fortalece a assistência prestada diariamente à população. “A gente percebe há muito tempo a necessidade de atualização constante nessa área. Recebemos diariamente pacientes idosos, acamados e pessoas mais vulneráveis a lesões de pele. A saúde muda o tempo inteiro, surgem novos protocolos e manter as equipes preparadas é essencial para garantir qualidade no atendimento”, afirma.
Suporte especializado e continuidade da capacitação
Segundo Giselle, o projeto também acompanha a mudança no perfil dos pacientes atendidos nas UPAs, que passaram a receber casos mais graves e pessoas que permanecem por períodos maiores nas unidades.
Entre as situações mais frequentes estão pacientes diabéticos com feridas complexas, pessoas com problemas de circulação, pacientes em tratamento contra o câncer e vítimas de trauma que precisam de cuidados específicos com a pele. “A formação realizada em Planaltina marca apenas o início de um trabalho contínuo. A proposta é levar o treinamento para todas as UPAs administradas pelo IgesDF e retornar regularmente às unidades para discutir casos, atualizar as equipes e reforçar os cuidados. Não é uma ação pontual. É um trabalho permanente de suporte e construção conjunta”, salienta.
O técnico de enfermagem Wesley de Oliveira participou da atividade e destacou a importância de aproximar teoria e prática. “Todos os dias, a gente recebe um paciente diferente e, muitas vezes, com feridas complexas. Participar de um treinamento assim ajuda muito no dia a dia, principalmente para agir de forma mais rápida e segura. É um aprendizado que melhora nosso trabalho e beneficia diretamente o paciente, que consegue ter uma recuperação melhor”, conta.
Desenvolvimento de nova ferramenta
Além das capacitações presenciais, a Comissão de Cuidados com a Pele do Hospital de Base também trabalha no desenvolvimento de uma nova ferramenta dentro do MV, sistema utilizado para gestão das informações dos pacientes. A proposta é criar um espaço para que profissionais das UPAs possam acionar diretamente a equipe especializada do Hospital de Base em situações mais complexas, permitindo suporte remoto e acompanhamento mais rápido das lesões.
A expectativa é que a ferramenta agilize as orientações às equipes das UPAs, reduza agravamentos e fortaleça a continuidade do cuidado dentro da rede pública de saúde.
*Com informações do IgesDF








