Segunda-feira, 06/07/26

Hugo Motta cria comissão especial para debater redução da maioridade penal na Câmara

Hugo Motta cria comissão especial para debater redução da maioridade penal na Câmara
Hugo Motta cria comissão especial para debater redução da maioridade – Reprodução

LAURA SCOFIELD
FOLHAPRESS

O presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) criou, nesta segunda-feira (6), a comissão especial que analisará a PEC (proposta de emenda à Constituição) de redução da maioridade penal para 16 anos. Trata-se do próximo passo de tramitação da medida, que avança na Câmara.

O colegiado terá 37 membros titulares, ainda não definidos, e analisará o mérito das propostas aprovadas pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em junho. A presidência e a relatoria da comissão serão escolhidas por Motta em reunião com os líderes partidários.

O principal texto em análise é de autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota (PSB/PE). A princípio, a proposta reduzia a maioridade penal e civil, além das idades mínimas para concorrer a cargos eletivos.

Entretanto, a CCJ aprovou a constitucionalidade apenas do trecho sobre redução da maioridade penal para 16 anos.

Outras duas PECs também foram aprovadas pela comissão: uma, do deputado Capitão Alden (PL-BA), propõe abrir exceção à maioridade penal de 18 anos para punir quem cometeu crimes hediondos ou de maus-tratos de crueldade extrema contra pessoas e animais.

Por sua vez, a de Julia Zanatta (PL-SC) visa reduzir a maioridade penal para 16 anos, além de responsabilizar crianças e adolescentes de 12 a 16 anos que cometam crimes hediondos, com violência ou grave ameaça e contra a vida.

A comissão especial tem prazo de até 40 sessões do plenário para votar a proposta. Em razão do recesso parlamentar e do calendário especial de eleições, o prazo deve se alongar por mais tempo do que o normal. Há previsão de que haja sessões em apenas quatro semanas, considerando esta, até o início de novembro.

Para o deputado Coronel Assis (PL-MT), que relatou o texto na CCJ, a criação da comissão “significa um grande avanço ao combate à impunidade”. De acordo com sua assessoria, ele foi responsável pela articulação que levou à criação da comissão por Motta.

A medida é criticada por especialistas como o advogado criminalista e professor de direito penal da USP (Universidade de São Paulo) Pierpaolo Bottini.

“A legislação de hoje já prevê medidas duras para adolescentes em conflito com a lei, inclusive a restrição de liberdade. Já temos 800 mil pessoas presas e a criminalidade apenas cresce. Prendemos muito, e as pessoas erradas. Insistir nessa estratégia é continuar a caminhada na estrada equivocada”, afirmou à Folha de S.Paulo.


T LB

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