Quarta-feira, 01/07/26

IBGE aponta 2,3 milhões de domicílios atingidos por enchentes no RS

IBGE aponta 2,3 milhões de domicílios atingidos por enchentes no RS
IBGE aponta 2,3 milhões de domicílios atingidos por enchentes no – Reprodução

A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima que as chuvas atingiram 6.333.727 moradores no estado e causaram estragos em 2.328.093 domicílios nas áreas mais afetadas.

Os dados foram calculados com base na avaliação das condições da estrutura física das moradias depois das inundações. Segundo o IBGE, 55,5% dos moradores relataram que seus domicílios sofreram algum tipo de dano. Entre os imóveis atingidos, 81.272 foram classificados como destruídos e 190.253 como muito danificados, o que levou o instituto a afirmar que 11,7% dos domicílios ficaram em condições de máxima precariedade.

A pesquisa foi feita em 133 municípios. Entre os principais impactos nas redondezas dos domicílios, os mais citados foram ruas ou rodovias danificadas, alagadas ou interditadas (62,3%), acúmulo de lixo e outros resíduos (56,3%), domicílios danificados, destruídos, inundados ou ilhados (54,1%) e interrupção da iluminação pública (53,9%).

O levantamento também mostrou reflexos sobre serviços básicos e saúde. Entre os domicílios com impacto registrado, o fornecimento de água e de luz foi afetado em 66,3% dos casos, e o acesso à internet, em 61,5%. Além disso, 67,5% dos entrevistados disseram ter tido a saúde abalada em consequência das enchentes.

Depois do desastre climático, 14,6% das pessoas, ou 922.233 moradores, mudaram de endereço. Em 37,9% dos casos, a troca de moradia ocorreu por causa das enchentes. Entre os que se mudaram, 71,6% viviam em domicílios com danos estruturais, e 28,3% tinham renda domiciliar de até R$ 2 mil.

De acordo com o IBGE, 24,9% dos moradores avaliados passaram a viver em condições gerais de vida inferiores às que tinham antes das enchentes, percentual acima dos 17,3% que relataram melhora. A maioria, 56,5%, afirmou que a qualidade de vida permaneceu a mesma.

Em relação à renda, 66,8% dos moradores estavam concentrados na faixa de até R$ 5 mil. O levantamento também informou que 51,9% das pessoas se declararam do sexo feminino, 48,1% do masculino, e que a maior parte da população era branca (78,5%), seguida por parda (14,3%) e preta (6,7%).

Nos reflexos sociais, o IBGE aponta que os maiores percentuais estão ligados à saúde mental abalada (67,5%), interrupções na vida social ou no convívio com família e amigos (58,4%) e dificuldade de deslocamento para trabalho, escola ou creche (57,3%).

A pesquisa também registrou que 484.221 domicílios, o equivalente a 20,8% do total, relataram ter recebido auxílio financeiro pago por ente público entre abril e maio de 2024. Já 196.293 domicílios, ou 8,4%, informaram que ao menos um morador precisou de atendimento médico por causa das chuvas fortes.

Quanto ao acesso às áreas atingidas, 652.107 domicílios ficaram sem condição de serem acessados. Nos resgates, os principais meios de transporte usados foram o aquático, em 70% dos casos, e o terrestre, em 34,6%. Os voluntários foram maioria entre os agentes que atenderam os domicílios, com 74,9%, seguidos por órgãos oficiais como Bombeiros, Forças Armadas e Defesa Civil, com 35,4%.

T LB

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