Terça-feira, 13/10/26

Investimentos de menores de idade somam R$ 3,5 bilhões na Bolsa

Investimentos de menores de idade somam R$ 3,5 bilhões na Bolsa
Investimentos de menores de idade somam R$ 3,5 bilhões na – Reprodução

Crianças e adolescentes de até 17 anos acumulam cerca de R$ 3,5 bilhões em investimentos de renda variável no Brasil, segundo dados da B3. Ao todo, são 60,8 mil investidores nessa faixa etária, um aumento de 58% em relação a dezembro de 2022.

O crescimento reflete o interesse das famílias em construir reservas financeiras para o futuro dos filhos, seja para custear a faculdade, financiar um intercâmbio ou oferecer mais segurança no início da vida adulta. Para Lucy Barbosa, planejadora financeira da VLG Investimentos, o primeiro passo é definir o objetivo do dinheiro antes de escolher as aplicações.

Segundo a especialista, saber quando e como os recursos serão utilizados ajuda a determinar quanto guardar e quais investimentos são mais adequados. Ela também destaca que a regularidade dos aportes é mais importante do que começar com grandes quantias.

Os dados da B3 mostram que quase 46 mil menores de idade possuem ações e cerca de 31,5 mil investem em fundos imobiliários. O interesse também alcança aplicações voltadas à educação. No Tesouro Educa+, título público criado para ajudar no planejamento dos custos dos estudos, há 12,9 mil investidores de até 17 anos, com saldo mediano de R$ 2,5 mil.

Organização financeira deve vir primeiro

Embora começar cedo possa favorecer o acúmulo de recursos pelo efeito dos juros compostos, a formação de uma reserva para os filhos não deve comprometer as contas da família. De acordo com Lucy, despesas essenciais e uma reserva de emergência precisam ter prioridade.

Sem essa estrutura, imprevistos podem obrigar os responsáveis a retirar valores que deveriam permanecer investidos por vários anos. A recomendação é definir contribuições compatíveis com o orçamento e revisar o planejamento sempre que houver mudanças na renda ou nas prioridades familiares.

O prazo para utilizar o dinheiro também influencia a escolha dos investimentos. Para objetivos de curto prazo, a orientação é priorizar alternativas mais estáveis e compatíveis com a data prevista para o resgate. Títulos públicos atrelados à inflação e o Tesouro Educa+ estão entre as opções que podem ser avaliadas, conforme as características de cada objetivo.

Já para metas de longo prazo, uma carteira diversificada pode incluir ações, desde que os responsáveis compreendam as oscilações do mercado e os riscos envolvidos. A previdência privada também pode ser considerada, com atenção às taxas cobradas, à tributação e às regras de resgate.

Educação financeira desde a infância

Além de acumular recursos, o planejamento pode ajudar a desenvolver a educação financeira das crianças e dos adolescentes. A participação dos filhos, de acordo com a idade, permite explicar a finalidade da reserva, a importância de poupar e os riscos associados aos investimentos.

Para Lucy, esse processo contribui para que os jovens compreendam que o dinheiro envolve escolhas, planejamento e tempo. Assim, a reserva financeira pode servir não apenas para custear projetos futuros, mas também para preparar os filhos para administrar os próprios recursos na vida adulta.

T LB

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