Duas semanas após a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, o Irã intensificou, nesta terça-feira (21), seus ataques no Oriente Médio em uma “guerra total”, segundo Teerã, que ameaça se estender ao Mar Vermelho.
Enquanto a república islâmica controla o estratégico Estreito de Ormuz, seus aliados no Iêmen, os rebeldes huthis, afirmaram que querem bloquear a navegação com destino e saída dos portos sauditas no Mar Vermelho.
O presidente americano, Donald Trump, declarou nesta terça-feira que os Estados Unidos “ainda não terminaram de forma alguma” sua campanha contra o Irã, após a décima noite consecutiva de bombardeios.
“Se saíssemos agora, o Irã levaria 20 ou 25 anos para se reconstruir”, afirmou a jornalistas na Casa Branca.
Durante a guerra em Gaza, os rebeldes huthis, que controlam amplas áreas do Iêmen, já haviam provocado graves perturbações ao tráfego marítimo mundial com o lançamento de drones e mísseis contra embarcações que transitavam pela região.
Na segunda-feira (20), eles anunciaram um “bloqueio marítimo contra o inimigo saudita criminoso”.
Ainda não está claro como os rebeldes iemenitas poderão implementar esse cerco contra um dos principais produtores mundiais de petróleo, que depende de seus portos no mar Vermelho para contornar o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz.
Trump também ameaçou os huthis nesta terça-feira e afirmou que, caso avancem com o bloqueio, os Estados Unidos cuidarão deles.
“Eles já sabem disso. Fizemos isso antes contra os huthis, e faz muito tempo que não ouvimos mais falar deles desde que tomamos as medidas que tomamos naquela ocasião”, declarou.
Especialistas também alertam para uma possível perturbação da navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, na costa sul do Iêmen, que dá acesso ao Mar Vermelho e é rota de passagem para o Canal de Suez e o Mediterrâneo.
Após o anúncio, os preços do petróleo atingiram na segunda-feira seu nível mais alto em um mês, embora tenham caído levemente nesta terça-feira. No entanto, o barril de Brent continua acima de 90 dólares (457 reais).
– “Pressão psicológica” –
Na outra extremidade da Península Arábica, as tensões em torno do controle de Ormuz levaram à retomada, em 7 de julho, das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos.
Os bombardeios atingiram níveis sem precedentes desde o primeiro cessar-fogo acordado em abril e reforçado em meados de junho por um protocolo que deveria levar ao fim da guerra.
Como já havia feito no início dos bombardeios israelenses-americanos, em 28 de fevereiro, o Irã respondeu com ataques a aliados de Washington no Golfo e no Oriente Médio, como Síria, Jordânia e Iraque.
Nas últimas 24 horas, Jordânia, Bahrein e Kuwait denunciaram ataques com drones e mísseis iranianos.
“O inimigo deverá se preparar para ondas de drones e ataques de mísseis ainda mais decisivos e poderosos”, afirmou nesta terça-feira a Guarda Revolucionária. O exército ideológico do Irã assegurou que suas forças haviam destruído sistemas de defesa antiaérea e instalações de radares no Bahrein e no Kuwait.
Neste segundo país, as autoridades pediram que a população reduza o uso de ar-condicionado após denunciarem ataques a instalações de dessalinização e usinas elétricas por Teerã.
Naser al-Dhafiri, um funcionário kuwaitiano de cerca de 40 anos, afirma que os ataques e o medo de apagões nesse país muito quente geram “uma imensa pressão psicológica” sobre a população.
“O que o Kuwait vive hoje é algo que não experimentamos nem mesmo durante a invasão do Iraque (em 1991), em termos de pressão psicológica e de não saber para onde as coisas estão caminhando”, afirma.
Do outro lado, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, afirmou que o Irã está envolvido em uma guerra total.
“Continuamos lutando para suprir nossas necessidades básicas e, agora, além disso, precisamos enfrentar a destruição causada pela guerra”, afirmou Shahin, uma bordadeira de 34 anos de Iranshahr, no centro do Irã.
– Paquistão pede moderação de todas as partes –
Até o momento, não há sinais de avanço diplomático concreto, apesar da visita ao Paquistão, mediador do conflito, do ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni.
Durante o encontro, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, “instou todas as partes a agir com moderação e a se abster de tomar medidas que possam desestabilizar ainda mais a região”.
Por enquanto, os ataques americanos deixaram pelo menos 50 mortos e mais de 500 feridos no lado iraniano desde a retomada dos combates, segundo o último balanço oficial divulgado na sexta-feira.
Do lado americano, três militares morreram na Jordânia e no Iraque nos últimos dias.








