Quarta-feira, 15/07/26

Israel aprova lei para suspender prisão de ultraortodoxos que evadam serviço militar

Israel aprova lei para suspender prisão de ultraortodoxos que evadam serviço militar
Israel aprova lei para suspender prisão de ultraortodoxos que evadam – Reprodução

O Parlamento de Israel aprovou nesta terça-feira (14) uma lei para suspender a prisão de estudantes ultraortodoxos que se recusarem a cumprir o serviço militar, medida que provocou críticas da oposição diante da escassez de efetivo enfrentada pelas Forças Armadas.

O projeto de lei foi aprovado em suas duas últimas votações por 58 votos a 54, poucos dias antes de o Knesset, o Parlamento unicameral israelense de 120 cadeiras, ser dissolvido para as eleições de 27 de outubro.

Durante meses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conduziu tensas negociações sobre o tema com os partidos ultraortodoxos que apoiam seu governo.

Os líderes dessa comunidade fechada há muito tempo se opõem ao recrutamento, argumentando que o serviço militar afastaria os jovens dos estudos religiosos e enfraqueceria seu modo de vida.

Segundo um acordo que remonta à fundação do país, em 1948, os ultraortodoxos dedicados integralmente aos estudos religiosos têm sido isentos do serviço militar.

No entanto, nos últimos anos aumentaram as pressões para integrá-los às Forças Armadas, enquanto Israel se viu envolvido em guerras em múltiplas frentes.

A Suprema Corte de Israel também questionou repetidamente essa isenção, culminando em uma decisão de 2024 segundo a qual o governo deve recrutar os ultraortodoxos.

Com a aprovação da medida, espera-se que Netanyahu conte com o apoio das duas legendas ultraortodoxas — Shas e Judaísmo Unido da Torá — nas eleições de outubro.

Segundo a nova legislação, ficam suspensas até 30 de novembro as prisões de estudantes em idade de serviço militar matriculados em seminários judaicos ultraortodoxos — conhecidos como yeshivás.

Será reconhecido como estudante quem dedicar pelo menos 45 horas semanais ao estudo de textos religiosos, e espera-se que o Ministério da Defesa elabore uma lista de yeshivás cujos alunos estarão abrangidos pela aplicação da lei.

Os líderes da oposição criticaram duramente a iniciativa, gritando “vergonha” no plenário durante a votação.

Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e principal adversário político de Netanyahu, escreveu na rede X que “as 58 mãos que se levantaram são as mãos da coalizão mais insensata da história de Israel”.

“Este é um governo que escolhe enfraquecer o Exército em meio a uma guerra brutal, enquanto os melhores filhos e filhas desta nação estão mobilizados em todas as frentes”, acrescentou.

Na segunda-feira, o Knesset aprovou outra lei que declarou o estudo de textos religiosos judaicos como um “valor fundamental” do Estado, norma amplamente considerada um reforço à argumentação dos ultraortodoxos em favor da isenção do serviço militar.

T LB

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