Uma empresa chamada Vantor acabou de fazer uma parceria com a Niantic para que ela tenha os dados desses mapas 3D e combine com os mapas dos drones da Vantor. A ideia é combinar as duas coisas e fornecer para os militares uma ferramenta muito mais precisa para eles tomarem decisões no campo de batalha. E não é uma coisa hipotética, porque a Vantor acabou de fechar um acordo de US$ 270 milhões com o Pentágono.
Helton Simões Gomes
Há outros parceiros interessados no mapa 3D, como a Snap, a Guarda Costeira dos EUA e até o designer de games Hideo Kojima, conhecido pela série Metal Gear, em uma parceria para criar jogos com georreferenciamento no mundo real.
Do ponto de vista corporativo, a Niantic deixou a área de jogos para abraçar integralmente a de imagens em 2025, quando vendeu sua área de desenvolvimento de games para a Scopely, ligada a um fundo soberano da Arábia Saudita
Quem conhece a origem da Niantic, no entanto, não se surpreende com a conexão com o meio militar: a empresa surgiu da Keyhole, que recebeu investimento do In-Q-Tel, o braço de capital de risco da CIA, agência de espionagem norte-americana. Depois, foi comprada pelo Google até se desvencilhar da big tech.
Para Diogo Cortiz, o debate vai além do jogo e é um alerta sobre como dados gerados por usuários são reaproveitados em aplicações com impactos imprevisíveis pelas pessoas.
Tudo o que você faz online gera dados e muitas vezes a gente não lê termo de uso nenhum. Com o avanço da inteligência artificial e da robótica, todos esses usos que a gente faz podem estar gerando dados que vão auxiliar no treinamento de novas ferramentas que vão ter consequências com as quais a gente não concorda, como esse caso de pessoas que usaram Pokémon Go para jogar e, ao mesmo tempo, os seus dados acabaram sendo usados para treinar drones militares.
Diogo Cortiz








