Segunda-feira, 10/08/26

Jornalistas indígenas lançam manual inédito de comunicação

Jornalistas indígenas lançam manual inédito de comunicação
Jornalistas indígenas lançam manual inédito de comunicação – Reprodução

O manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa foi lançado nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A publicação é apresentada como uma ferramenta inédita, com termos, orientações e princípios elaborados a partir da perspectiva dos povos indígenas.

Segundo a coordenadora geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Luciene Kaxinawá, o manual resulta de um trabalho desenvolvido em articulação entre mais de 40 povos indígenas. Ela afirma que a obra carrega essa diversidade e reafirma o compromisso com uma comunicação construída a partir dos territórios, das línguas e dos modos de contar histórias desses povos.

A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível online, de forma gratuita. Para integrantes da Abrinjor, a chegada do manual, após um ano e meio de trabalho, é uma “boa notícia” — expressão que dá nome à publicação na língua Nheengatu, da família Tupi-Guarani.

A jornalista indígena Sônia Kaingáng, comunicadora do Inka, diz que a ferramenta deve servir como instrumento de trabalho para jornalistas em todo o país, além de funcionar como recurso de educação. Já a pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré afirma que a publicação pode ser útil nos currículos e nas ementas dos cursos de jornalismo, como ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais.

Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), avalia que o manual também pode estimular a presença de mais indígenas nos espaços de comunicação das entidades representativas e dos canais de comunicação no país. Para ela, o material abre uma porta para a ocupação desses espaços por jornalistas indígenas, que, segundo afirma, são os mais indicados para falar sobre os próprios povos.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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