Terça-feira, 28/04/26

Líbano acusa Israel de ‘ecocídio’ em relatório sobre danos ambientais

Líbano acusa Israel de ‘ecocídio’ em relatório sobre danos ambientais
Líbano acusa Israel de ‘ecocídio’ em relatório sobre danos ambientais – Reprodução

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

O Líbano acusa as Forças de Defesa de Israel de provocar um “ecocídio” no sul do país durante a ofensiva de 2023 a 2024, ao divulgar um relatório sobre danos ambientais e perdas econômicas.

Acusação foi feita pela ministra do Meio Ambiente, Tamara el Zein, no prefácio do documento. “A escala e a intencionalidade dos danos a florestas, terras agrícolas, ecossistemas marinhos, recursos hídricos e à qualidade do ar constituem o que deve ser reconhecido como um ato de ecocídio, com consequências que vão muito além da destruição imediata. O dano ambiental que enfrentamos não é apenas ecológico.

É uma questão de saúde pública, segurança alimentar, meios de subsistência, tecido social e resiliência nacional”, escreveu.

Relatório tem 106 páginas e foi preparado pelo Conselho Nacional para Pesquisa Científica do Líbano (CNRS-L). De acordo com o The Guardian, o estudo cobre o período entre outubro de 2023 e dezembro de 2024 e não inclui os impactos de uma nova onda de ataques ocorrida nesta primavera no Hemisfério Norte.

Documento lista danos a florestas, agricultura, solo e ar no sul do país. Entre os pontos citados estão a perda de cinco mil hectares de cobertura florestal e a destruição de 2.154 hectares de pomares, com 814 hectares de oliveiras e 637 hectares de plantações de cítricos, além de danos extensos a bananais.

Estimativa aponta prejuízos bilionários e necessidade de reconstrução de longo prazo. O relatório calcula custo total de US$ 25 bilhões, somando US$ 6,8 bilhões em danos físicos, US$ 7,2 bilhões em perdas econômicas e US$ 11 bilhões em recuperação e reconstrução.

Ministra pede apoio externo para a recuperação ambiental. “O Líbano não consegue carregar esse fardo sozinho. Pedimos solidariedade e apoio internacionais para dividir a responsabilidade da recuperação ambiental. A escala do dano e os custos de restauração exigem ação coletiva e parcerias de longo prazo”, afirmou el Zein ao The Guardian.

Setor agrícola aparece como um dos mais atingidos, segundo o documento. O texto estima destruição de US$ 118 milhões em ativos físicos ligados à agricultura “como lavouras, estruturas de criação de animais, recursos florestais, pesca e infraestrutura de aquicultura” e mais US$ 586 milhões em perdas de produção por colheitas interrompidas e queda de produtividade.

Estudo também relata contaminação do solo e episódios de poluição do ar. O relatório menciona concentrações de fósforo no solo de até 1.858 partes por milhão, com áreas de maior contaminação no sul do Líbano e no vale do Bekaa, além de liberação de partículas, óxidos de enxofre e nitrogênio e compostos tóxicos como dioxinas.

Texto descreve perda de serviços ecossistêmicos e impacto sobre a segurança alimentar. “A pegada ambiental da guerra é evidente na destruição de florestas e bosques, muitos dos quais serviam como pontos de alta biodiversidade e sumidouros de carbono, e na queima de terras agrícolas, incluindo pomares de alto valor e campos de culturas básicas, minando tanto os meios de subsistência quanto a segurança alimentar nacional”, diz o relatório do CNRS-L.

Especialista em impactos ambientais de guerras avalia que parte dos dados já ficou desatualizada. “O foco do relatório em reconstruir melhor e em fortalecer as capacidades nacionais de monitoramento ambiental é um reconhecimento bem-vindo de duas prioridades críticas para qualquer Estado afetado por conflito. Infelizmente, elementos das conclusões já estão desatualizados por causa da devastação provocada por Israel desde o período estudado, particularmente na área que ele ocupa ilegalmente ao sul do rio Litani”, disse Doug Weir, diretor do Conflict and Environment Observatory, ao The Guardian.

Forças de Defesa de Israel afirmam que consideram impactos ambientais em suas operações. “As Forças de Defesa de Israel estão cientes dos potenciais impactos ambientais de suas operações na região. As Forças de Defesa de Israel atuam para proteger os cidadãos de Israel e garantir a segurança e a proteção das áreas ao redor. Todas as ações são realizadas com precauções para minimizar danos a civis e ao meio ambiente”, disse um porta-voz ao The Guardian.

T LB

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