Quinta-feira, 01/10/26

medo de não acompanhar tudo vira sobrecarga

O programa lembra que o FOMO, nos anos 2000, era ligado ao medo de os amigos irem a um rolê e a pessoa não ser convidada. Agora, a sensação é de precisar saber de tudo, com a impressão de que todo mundo está por dentro de séries, filmes, livros, trends, músicas, estéticas, fofocas, restaurantes e memes.

Marcos Leal, também estudante de jornalismo, citou o exemplo de ainda não ter visto “o último filme do Homem-Aranha” enquanto outras pessoas já assistiram. Outra participante disse que não sabia quem era Olivia Dean, como ilustração do incômodo de ficar fora de referências culturais que circulam nas conversas.

A pesquisadora em comunicação digital Issaaf Karhawi afirmou que, antes, o mundo era “editado” e “um pouco encurtado” pelo que definia o acesso a conteúdos. “Agora a nossa sensação é de sobrecarga, um acesso que extrapola nossa condição de consumo inclusive”, disse.

O psiquiatra Milton Santos Júnior relacionou a aceleração do acesso à informação ao aumento da sensação de estar perdendo coisas. Ele também citou o termo JOMO (sigla em inglês para “joy of missing out”, ou alegria de ficar de fora), associado ao alívio de não precisar responder ou se atualizar o tempo todo.

O médico contou que, após um dia estressante, decidiu não mexer no celular e deixou o aparelho desligado da noite até a manhã seguinte. “É uma sensação que às vezes é necessária você ter para você se libertar”, afirmou.

A psicóloga Ana Clara disse que pessoas procuram ajuda com queixas como ansiedade e insônia e relatam dificuldade de realizar tarefas do dia a dia. Ela afirmou que, em alguns casos, essas questões podem estar ligadas ao excesso de necessidade de estar conectado às redes sociais. “Se você quer estar em todas as atividades, você não está em nenhuma”, disse.


T LB

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