Segunda-feira, 28/09/26

Megafoguete Starship, da SpaceX, faz primeiro voo orbital e lança satélites

Megafoguete Starship, da SpaceX, faz primeiro voo orbital e lança satélites
Megafoguete Starship, da SpaceX, faz primeiro voo orbital e lança – Reprodução

SALVADOR NOGUEIRA
FOLHAPRESS

A SpaceX lançou nesta segunda-feira (28) ao seu primeiro voo orbital o veículo Starship, com o qual a empresa espera acelerar a construção de megaconstelações de satélites em torno da Terra, e a Nasa tem a expectativa de usar para bater a China na corrida para o retorno tripulado à Lua.

O lançador partiu às 9h48 (horário de Brasília), duas horas antes pelo fuso de Starbase, no Texas, de onde a empresa realiza seus voos daquele que é o maior foguete do mundo. É o décimo quarto voo integrado dos dois estágios, mas apenas a primeira vez que a empresa tenta alcançar a velocidade orbital e agregar satélites à constelação Starlink, que fornece internet rápida e de baixa latência em escala global.

Por uma questão de segurança, os engenheiros adotaram um perfil de voo conservador. Após a desativação de quase todos os motores do primeiro estágio, chamado Super-Heavy, e a separação do segundo estágio (o próprio Starship), a queima mais uma vez levou a uma trajetória suborbital —velocidade um pouco inferior à necessária para permanecer em órbita. A ideia era que, caso houvesse algum problema com o segundo estágio, ele reentrasse na atmosfera sozinho dali a menos de uma hora.

Uma vez que o veículo se colocou nessa “quase órbita”, o controle da missão realizou uma checagem de todos os sistemas antes de reacender brevemente os motores do Starship para dar o último empurrão necessário para uma inserção orbital.

Foi com alguma emoção. Um dos seis motores se apagou durante a ascensão e os engenheiros fizeram uma verificação extensiva antes de dar luz verde para a inserção obital. As manobras críticas de inserção orbital e deórbita são feitas com um motor, de modo que há bastante redundância, mesmo em caso de falhas.

Com o sucesso da manobra, realizada cerca de 25 minutos após o lançamento, o veículo se estabeleceu em uma órbita baixa, cerca de 275 km acima da superfície da Terra, permitindo a liberação de 26 satélites Starlink V3.

A SpaceX não tinha por objetivo recuperar o veículo neste voo, mas conduziu uma manobra de retorno com o Super-Heavy (que teve o apagamento de um dos 33 motores durante a ascensão), realizando um pouso suave na água.

Quanto ao Starship propriamente, uma manobra final foi realizada pouco mais de duas horas após o lançamento, após uma única órbita completa, com uma reativação de motor para frear o veículo o suficiente para voltar a uma trajetória suborbital e retornar à Terra.

Originalmente, o plano era conduzir o pouso do Starship após meia dúzia de voltas ao redor da Terra, com uma descida sobre o oceano Pacífico, próximo à costa do Chile. Mas, para se manter conservadora e reduzir riscos, os engenheiros decidiram antecipar o retorno. Com isso, o retorno se deu sobre o Pacífico, mas perto do Havaí, com um pouso suave.

A despeito das mudanças e contingências ao longo do voo, todos os objetivos foram atingidos, em um resultado importante para a SpaceX, que projeta que o próximo lançamento já envolva uma tentativa de recuperar e reutilizar os dois estágios.

No longo prazo, o plano da empresa é reutilizar frequentemente seus Starships, acelerando a frequência de voos, que já representa com alguma folga a maior do mundo com os foguetes Falcon 9 da empresa.

Conforme os voos do Starship se tornem mais comuns, o Falcon 9 deve ser aposentado.

A alta frequência de voos, que devem partir não só de Starbase, no Texas, mas também de Cabo Canaveral, na Flórida, e mais adiante de um novo centro de lançamento na Louisiana, é necessária para que a SpaceX qualifique o veículo para servir à Nasa na missão Artemis 4. Marcada para 2028, ela deve ter a primeira alunissagem tripulada do programa. Mas desafios técnicos ainda separam o Starship de seus objetivos. Será preciso demonstrar a capacidade de voar frequentemente, realizar reabastecimentos em órbita e proceder com uma alunissagem segura na Lua sem tripulação. Tudo isso precisa acontecer nos próximos dois anos para cumprir o cronograma.

T LB

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