Sexta-feira, 26/06/26

Mensagens interceptadas mostram papel de Senival Moura em movimentações financeiras, diz polícia

Mensagens interceptadas mostram papel de Senival Moura em movimentações financeiras, diz polícia
Mensagens interceptadas mostram papel de Senival Moura em movimentações financeiras, – Reprodução

Mensagens obtidas pela Polícia Civil de São Paulo a partir da apreensão de celulares mostram o suposto papel do vereador Senival Moura (PT) na distribuição informal de recursos da empresa Transunião, suspeita de operar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo as investigações, o parlamentar era “o verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira” da concessionária de transporte e funcionava como uma espécie de “instância superior de deliberação acerca da movimentação informal de recursos”.

Senival foi preso na manhã desta quinta-feira (25) numa operação conjunta do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Civil.

A defesa dele declarou em nota ter recebido a prisão “com profunda indignação” e disse que a medida causa “enorme surpresa” porque “foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos”.

Disse também que o vereador “reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”.

A investigação que culminou na prisão do parlamentar começou em 2020, na esteira da morte do então presidente da Transunião. Segundo a polícia, Adauto Soares Jorge foi assassinado após descoberta de desvios financeiros na empresa.

Ainda conforme os investigadores, Senival só não foi morto porque teria se comprometido a devolver os valores desviados. Autoridades passaram a monitorar o parlamentar.

Uma das mensagens obtidas pela Polícia Civil envolve uma conversa na qual Leonel Moreira Martins, também alvo da operação desta quinta, dizendo a Adauto que “dia 15 valor [R$] 53.500. Já falei com o vereador”.

“Tal passagem assume especial relevância na medida em que explicita a correspondência entre as referências anteriormente empregadas nas mensagens sob as expressões ‘veio’, ‘velho’ e ‘presidente’ e a pessoa de Senival”, afirma relatório da polícia sobre o caso. A reportagem não localizou a defesa de Leonel.

Em outra conversa, Leonel disse a Adauto que enfrentava dificuldades financeiras e pediu R$ 44 mil para pagar contas.

“Chefe !! estou limitado em 70 [mil] todas semanas de segunda até quinta-feira. Desculpa!! qualquer valor acima do acertado … só depois dele [sic] me autorizar!! Foi o acordado”, respondeu o então presidente da Transunião. A conversa é de 2019.

O aval “dele”, segundo as investigações, refere-se ao vereador do PT.

Horas após a operação que culminou na prisão do vereador nesta quinta-feira, a gestão Ricardo Nunes (MDB) decretou intervenção na concessionária Transunião e disse em nota encaminhada à imprensa que a medida “abrangerá os prédios, equipamentos, veículos, serviços e demais bens móveis e imóveis de propriedade da empresa”.

A intervenção entrou em vigor ainda nesta quinta-feira. A previsão é de que a medida dure seis meses neste primeiro momento.

Além do vereador, também foram detidos na operação desta quinta-feira Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.

Ambos são réus pelo assassinato de Adauto, o ex-presidente da concessionária. O advogado que representa Jair na ação penal do homicídio do ex-presidente não respondeu à tentativa de contato da reportagem.

Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse à reportagem que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele e que já pediu a revogação da prisão temporária. “Ele sempre colaborou”, afirmou.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *