Sábado, 06/12/25

Messias precisará estreitar laços com Alcolumbre, que tinha Pacheco como preferido

Jorge Messias

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Sua primeira e crucial missão será estreitar os laços com a cúpula do Senado, responsável pela aprovação de seu nome.

Messias já possui trânsito na Casa, pois atuou como chefe de gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado. Contudo, ele precisará fortalecer suas relações, em especial com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP). Nesta semana, Wagner afirmou que Jorge Messias não tem “arestas” na Casa.

O Desafio da Aprovação de Jorge Messias no Senado

A preocupação com a votação de Jorge Messias intensificou-se após a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na semana anterior. Gonet foi aprovado por uma margem estreita, obtendo apenas quatro votos a mais que o mínimo necessário.

Nos bastidores, líderes da base governista admitem que só evitaram uma derrota inédita graças a uma operação emergencial. Essa ação incluiu a articulação direta de Davi Alcolumbre para manter o quórum alto e a conquista de dois votos da oposição em uma semana de esvaziamento.

Estratégia e Articulação

O senador Jaques Wagner deve atuar como o principal cabo eleitoral de Jorge Messias no Senado até a sabatina. A tendência é que o indicado por Lula inicie uma romaria pelos gabinetes da Casa, com o apoio de Wagner na marcação dessas conversas.

O senador pela Bahia transita bem pelo Senado, mantendo bom diálogo inclusive com parlamentares de oposição. Alcolumbre deixou claro que sua preferência era por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor no comando do Senado e aliado. Petistas admitem que Pacheco seria aprovado com mais facilidade, mas não acreditam que haja risco de Jorge Messias ser rejeitado de forma inédita.

O fato de o atual advogado-geral da União ser evangélico da Igreja Batista será um trunfo em suas conversas com os senadores mais conservadores. Messias precisará ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, em seguida, ter seu nome aprovado pelo plenário principal da Casa, necessitando de, pelo menos, 41 votos.

Quem é Jorge Messias?

Jorge Messias é um servidor público de carreira, com experiência como procurador do Banco Central e procurador da Fazenda Nacional. Sua trajetória inclui:

  • Envolvimento no movimento sindical das carreiras da AGU.
  • Atuação no Ministério da Educação (MEC), na gestão de Mercadante, como secretário de Regulação, período em que se aproximou de dirigentes do PT.
  • Cargo de subchefe de Assuntos Jurídicos no governo Dilma, durante um dos momentos mais delicados do PT no Palácio do Planalto.

Em março de 2016, seu nome foi exposto nacionalmente por uma interceptação telefônica divulgada na Operação Lava Jato, em uma conversa entre Lula e Dilma. Na época, Dilma informou a Lula que enviaria, por meio de “Bessias”, um termo de posse para ele assinar e se tornar ministro da Casa Civil. A interceptação foi captada após o então juiz Sergio Moro ter ordenado a interrupção das gravações, o que levou o Supremo Tribunal Federal a considerá-la ilegal.

Messias e a ex-presidente Dilma jamais se afastaram. Ela compareceu à cerimônia de posse de Messias como ministro da AGU em 2023, e a um jantar reservado para a família e amigos próximos. Em 2019, Messias trabalhou no gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA). Após a vitória de Lula em 2022, ele obteve um papel de destaque na transição, coordenando o grupo dedicado a temas de Transparência, Integridade e Controle.

No governo atual, Jorge Messias construiu uma relação próxima com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Entre seus principais aliados também estão os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).

Por Correio de Santa Maria, com informações de Agência Senado.

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