No Meet Point Estadão Think, parlamentares e setor privado defendem atualização dos limites do programa para ampliar geração de renda e fortalecer pequenos negócios.
Criado há quase duas décadas para ampliar o acesso ao crédito e estimular a inclusão produtiva no País, o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO) voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e redução das desigualdades regionais. Durante transmissão do Meet Point Estadão Think, parlamentares e representantes do setor privado defenderam o fortalecimento da política pública e a atualização dos limites do programa, congelados desde 2019.
Participaram do debate o senador Laércio Oliveira (PP-SE), o deputado federal Zé Neto (PT-BA) e Alexandre Borin, diretor de Crédito Consignado e Microcrédito do Itaú Unibanco. A mediação foi da jornalista Camila Silveira. Ao longo da conversa, os convidados reforçaram que o microcrédito deixou de representar apenas uma linha de financiamento e passou a ocupar papel estratégico na geração de renda e no desenvolvimento local, sobretudo em regiões mais vulneráveis do País.
Relator do Projeto de Lei 1.472/2026, que propõe a obrigatoriedade de atualização anual do teto do programa no Senado, o senador Laércio Oliveira destacou que a política pública deve acompanhar a realidade econômica enfrentada pelos pequenos empreendedores. “Essas pessoas que acreditaram no microcrédito precisam repor seus estoques, ampliar sua atuação, para que não corram o risco de perder tudo o que construíram até aqui”, pontuou.
“Essas pessoas que acreditaram no microcrédito precisam repor seus estoques, ampliar sua atuação, para que não corram o risco de perder tudo o que construíram até aqui.” (Senador Laércio José de Oliveira, PP-SE)
Economia popular
Com forte presença no Nordeste e em municípios afastados dos grandes centros urbanos, o microcrédito ganhou protagonismo como alternativa para trabalhadores informais, pequenos comerciantes e empreendedores periféricos.
Ao detalhar a operação do Itaú no segmento, Alexandre Borin explicou que a atuação da instituição alcança mais de 70% das cidades nordestinas e tem impacto relevante na autonomia financeira feminina. “A gente está falando de uma operação essencialmente comunitária. Mais de 70% dos empreendedores são mulheres”, destacou.
“A gente está falando de uma operação essencialmente comunitária Mais de 70% dos empreendedores são mulheres.” (Alexandre Borin, diretor de Crédito Consignado e Microcrédito do Itaú Unibanco)
Na avaliação do executivo, muitos negócios começam como estratégia de sobrevivência, mas passam a enxergar novas possibilidades de expansão ao longo do tempo. “O objetivo principal dessa pessoa, no começo, é a subsistência. Mas, ao longo da evolução do negócio, ela quer crescer, se desenvolver”, comentou.
Borin ainda alertou que a ausência de atualização monetária compromete diretamente o poder de crescimento desses pequenos negócios. “Esse empreendedor perde capacidade de repor os seus estoques e acaba com o crescimento limitado”, ressaltou.
Agenda econômica
Durante a transmissão, os participantes defenderam maior articulação entre políticas públicas e instituições financeiras para ampliar o alcance do microcrédito e fortalecer o empreendedorismo popular.
Para Zé Neto, o debate precisa ir além da simples revisão dos valores disponíveis nas linhas de crédito e envolver uma integração maior entre iniciativas públicas e privadas. “O microcrédito não é só uma atualização de valores. Precisamos fortalecer a conexão entre os setores para melhorar o ambiente de negócios”, avaliou.
“O microcrédito não é só uma atualização de valores. Precisamos fortalecer a conexão entre os setores para melhorar o ambiente de negócios.” (Zé Neto, deputado federal, PT-BA)
Transformação social
Além da atualização dos limites, o debate também abordou o uso de tecnologia para ampliar o alcance do programa e acelerar o atendimento em regiões mais afastadas. Segundo Borin, a digitalização tem permitido simplificar processos e fortalecer a presença do microcrédito em cidades do interior nordestino.
Ao comentar os próximos passos da operação, o executivo do Itaú Unibanco reforçou a intenção do setor financeiro de ampliar esse tipo de iniciativa. “A nossa disposição para continuar apoiando os microempreendedores é total”, afirmou Borin.
Ao encerrar a transmissão, o senador defendeu que o microcrédito seja tratado como política permanente de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva, especialmente para populações historicamente afastadas do sistema financeiro tradicional. “O microcrédito entrega esperança de um novo tempo para essas pessoas. A política precisa dar a resposta que elas esperam”, concluiu.








