Quinta-feira, 06/08/26

Milei tenta votar lei para ampliar compra de terras por estrangeiros

Milei tenta votar lei para ampliar compra de terras por estrangeiros
Milei tenta votar lei para ampliar compra de terras por – Reprodução

O governo de Javier Milei tenta votar novamente no Senado argentino, nesta quinta-feira (6), um projeto de lei que altera os limites para estrangeiros comprarem terras no país. Diante da resistência à proposta original, a Casa Rosada recuou e passou a defender um teto de 25% por província.

A mudança ocorre após o Senado resistir a votar a versão inicial apresentada pelo governo, que previa acabar com qualquer limite para a compra de terras por estrangeiros. Hoje, a legislação argentina estabelece um limite de 15% nos níveis nacional, provincial e municipal.

Segundo o texto, o governo já havia tentado levar a matéria ao Senado em meados de julho, mas o projeto foi retirado de pauta por falta de apoio. Agora, a tentativa de votação ocorre em meio a críticas da oposição e de setores sociais, que acusam o governo de “entreguismo” e convocaram protestos para o momento da sessão.

A Casa Rosada afirma que a restrição prevista na lei de 2011 desestimula investimentos internacionais no país. Em comunicado enviado ao Senado em março, o governo argumentou que a legislação impõe uma limitação “irrazoável” e prejudica o investimento estrangeiro, especialmente no setor agrícola.

Milei já havia tentado derrubar a restrição por meio de decreto presidencial ao assumir o poder, em dezembro de 2023, mas a medida foi suspensa pelo Poder Judiciário. Com isso, o governo passou a buscar uma alteração pela via legislativa.

A proposta é criticada pelo Observatório de Terras da Argentina, organização não governamental que reúne pesquisadores contrários à mudança. O grupo calcula que quase 5% das terras do país estão em mãos de estrangeiros, o equivalente a 13 milhões de hectares, e afirma que 36 departamentos superam o limite legal de 15%.

O observatório também sustenta que a alteração ameaça o acesso a rios, lagos e nascentes e representa um estatuto “colonial”. Em informe assinado por Pablo Volkind, Matías Oberlin e Julieta Caggiano, a entidade afirma que o projeto facilita a apropriação e a concentração de terras e recursos naturais estratégicos, sem necessariamente gerar circulação local das rendas obtidas.

O governo, por sua vez, afirma que a mudança não afeta a soberania porque proíbe a venda de terras a Estados estrangeiros, permitindo apenas operações com a iniciativa privada.

O projeto integra um pacote mais amplo de mudanças legislativas defendidas pela administração Milei, chamado de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada, que também prevê acelerar despejos, dificultar expropriações estatais e reduzir restrições à venda de áreas protegidas ambientalmente após incêndios florestais.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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