Sábado, 27/06/26

Ministério Público de Goiás entra com ação contra uso de policiais como seguranças de Caiado

Ministério Público de Goiás entra com ação contra uso de policiais como seguranças de Caiado
Ministério Público de Goiás entra com ação contra uso de – Reprodução

O Ministério Público de Goiás propôs uma ação contra o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, pelo que foi considerado emprego excessivo de policiais militares do estado como seguranças dele e de familiares. Segundo o órgão, a conduta configura ato de improbidade administrativa causador de enriquecimento ilícito e lesão ao erário.

O pelotão de 51 policiais foi divulgado pela Folha de S.Paulo, que teve acesso a um documento que aponta gasto total com o salário dos agentes de R$ 797,5 mil por mês, fora acréscimos de funções comissionadas, gratificações e diárias.

A petição do Ministério Público foi enviada pela promotora Leila Maria de Oliveira. Ela pede o ressarcimento ao erário dos gastos com a medida e a suspensão dos agentes que extrapolam a previsão legal.

A ação mira Caiado, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, também beneficiária do esquema de segurança, e o coronel Marco Aurélio Godinho, secretário-chefe da Casa Militar de Goiás.

A reportagem entrou o contato com Godinho, por meio da Casa Militar, e com as assessorias de Ronaldo e Gracinha Caiado, que não responderam até a publicação da reportagem.

Questionado anteriormente sobre o efetivo, o ex-governador afirmou que ‘escolta não é mordomia’ e falou da necessidade de segurança em razão de sua gestão ter combatido o crime organizado.

Em 1º de abril, um dia após a renúncia de Caiado do governo de Goiás para concorrer à Presidência, Godinho assinou no Diário Oficial do estado uma portaria com novas regras para a segurança de ex-governadores.

Ele estipulou que as ações também se estendem a familiares do ex-governador, que pode indicar quais policiais militares vão compor a equipe, em caso de disponibilidade. A portaria determinou ainda que ficam a cargo da Casa Militar do estado “a estrutura de transporte e hospedagem”, assim como “os demais recursos logísticos necessários à execução das medidas de segurança”.

O benefício é válido pelo tempo em que o político tiver exercido o cargo de governador, desde que o período seja superior a três anos. Caiado ficou no cargo por sete anos e três meses.

O Ministério Público diz que a portaria “ampliou indevidamente o rol de beneficiários da proteção estatal e possibilitou o emprego de recursos públicos para finalidades estranhas ao interesse público”.

O órgão afirma não haver previsão legal para que a garantia se estenda a familiares do ex-governador e acrescenta que os fatos têm “especial relevância diante da circunstância de que sua ocorrência coincide com período de intensa atividade de campanha político-eleitoral dos beneficiários”, em referência à pré-campanha de Caiado à Presidência e de Gracinha ao Senado.

O Ministério Público manifestou o entendimento de que a regra estadual mantém norma estipulada em 2011 que previa quatro seguranças a ex-governadores e conclui que a ampliação a familiares inovou “na ordem jurídica em matéria não autorizada” pela Constituição Estadual.

O órgão cita ainda diárias da Secami (Secretaria de Estado da Casa Militar), responsável pelo serviço, no estado de São Paulo, para onde Caiado se mudou para coordenar a pré-campanha à Presidência.

A peça pede a concessão de tutela de urgência para suspender os efeitos da portaria e limitar o quantitativo de segurança a quatro agentes para o ex-governador, sem extensão aos familiares.

Solicita ainda a incompatibilidade da portaria de Godinho e, no final do processo, a condenação dele, de Caiado e de Gracinha por improbidade administrativa, com ressarcimento integral dos danos, ainda a serem calculados, ao erário. O valor da causa é de R$ 1.290.856,55.

A promotora Leila Maria de Oliveira já foi alvo do ex-governador, que criticou, em 2025, uma ação dela questionando a falta de licitação em obras no estado.

T LB

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