Quarta-feira, 11/03/26

Ministério Público do Equador investiga se Venezuela financiou campanha presidencial da esquerda

Ministério Público do Equador investiga se Venezuela financiou campanha presidencial da esquerda
Ministério Público do Equador investiga se Venezuela financiou campanha presidencial – Reprodução

O Ministério Público do Equador informou, nesta quarta-feira (28), que investiga um suposto financiamento da Venezuela à campanha presidencial da ex-candidata de esquerda Luisa González na eleição em que Daniel Noboa foi vencedor.

Os candidatos de lados políticos opostos se enfrentaram na eleição antecipada de 2023 e depois em 2025, em meio a uma onda de violência sem precedentes ligada ao narcotráfico que atinge o país.

O ex-presidente socialista Rafael Correa disse, no X, que as casas de seus protegidos e ex-candidatos, González e Andrés Arauz, candidato na eleição de 2021, foram alvo de busca e apreensão.

Segundo o Ministério Público, “presume-se que ele trazia dinheiro ilícito (em espécie) da Venezuela para financiar a campanha presidencial de 2023”, quando González e o candidato a vice, Arauz, perderam com 48% dos votos para Noboa.

O ministério divulgou uma foto em que González aparece, de pijama e com o rosto desfocado, analisando um documento na presença de autoridades.

Sem mencionar Correa, o presidente Noboa disse, no Fórum Econômico Mundial de Davos, que “no Equador houve campanhas políticas financiadas pelo regime de (Nicolás) Maduro e o dinheiro fluía da PDVSA”, a petroleira estatal venezuelana.

Correa foi um aliado ferrenho da Venezuela durante seu governo (2007-2017) e rejeitou a incursão militar dos Estados Unidos em Caracas que terminou com a captura e a derrubada de Maduro.

Após deixar o poder, o ex-governante equatoriano integrou uma equipe que assessorava o governo chavista em temas econômicos.

Noboa, um dos maiores aliados de Washington na América Latina, culpa o governo de Correa pelo aumento da violência ligada ao narcotráfico.

No âmbito do caso denominado Caixa Chica, o Ministério Público indicou que, junto com a polícia, “executa buscas em 3 imóveis” nas províncias de Pichincha e Guayas para “coletar indícios”.

O movimento correísta Revolução Cidadã anunciou uma coletiva de imprensa de González em Quito nas próximas horas.

Correa, residente na Bélgica e condenado à revelia em 2020 a oito anos de prisão por corrupção, divulgou uma notificação do Ministério Público na qual aparece entre os investigados.

A Revolução Cidadã, liderada por Correa, é a principal força legislativa com 67 dos 151 assentos, embora o governista Ação Democrática Nacional (66) tenha alcançado maioria com o apoio de outros setores.

T LB

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