Moradora de Goiânia transforma dor em missão após filha vencer câncer
A mulher decidiu ajudar outras mulheres de forma gratuita.
Quando a vida para, algumas pessoas desabam. Outras, renascem. E há quem encontre um propósito novo justamente no epicentro da dor. É o caso de uma mulher, moradora de Goiânia, que viu a filha vencer um câncer e decidiu transformar tudo o que viveu em combustível para ajudar outras mulheres de maneira gratuita.
A pergunta que abre essa história poderia estar em qualquer debate sobre saúde emocional: o cérebro humano é capaz de transformar dor em motivação? A ciência diz que sim, e a mulher confirma isso na prática.
O choque que muda tudo
Em 2016, a filha dela, então com 30 anos, cheia de planos e no auge da vida pessoal e profissional, recebeu um diagnóstico inesperado: um câncer de mama raro e agressivo, incomum para a idade.
A partir dali, a família apertou o botão de pausa. O ritmo acelerado deu lugar ao silêncio, à união e ao entendimento de que aquela luta só seria vencida a muitas mãos. A mulher lembra, emocionada, do dia em que ouviu da filha: “Esse câncer é nosso.”
Quando a doença vira espelho
Em um vídeo publicado anos depois, já casada e mãe de uma menina, a filha reflete sobre o que viveu. Disse que enfrentar um câncer na mama esquerda, “a mama do coração”, como ela descreve, foi um alerta sobre como lidava com emoções profundas que vinha ignorando.
Essa compreensão abriu um caminho novo tanto para a filha quanto para a mãe. Ao final do tratamento, com a filha recuperada, a mulher sentiu que precisava devolver ao mundo parte do bem que recebeu. E decidiu fazer isso como psicóloga, atendendo, de forma voluntária, mulheres com câncer de mama.
A escuta que cura
Entre as pacientes atendidas no Instituto de Mastologia e Oncologia (IMO), em Goiânia, está Fernanda, que recentemente tocou o sino após a última sessão de quimioterapia, um ritual simbólico que marca o fim do tratamento. Para ela, a mulher ajudou a enxergar que viver o luto emocional sem se exigir força o tempo todo também faz parte da cura.
Outra sobrevivente é a enfermeira Emí Tsuchiya, que encerrou o tratamento há seis anos. Ela diz que as conversas e o grupo de apoio foram “remédios tão importantes quanto os médicos”, e se emociona ao lembrar dos abraços compartilhados com a mulher.
Dor que se transforma
Em cada sessão, a mulher repete algo que aprendeu no momento mais vulnerável da sua própria história: sentir não é fraqueza. Acolher emoções é parte do processo. E ajudar mulheres a atravessarem esse caminho é, hoje, sua forma de fazer a diferença.
A história da mulher, da filha e das muitas mulheres que tocam o sino no IMO deixa um ensinamento que permanece: O câncer te desfaz, mas também pode te refazer.








