Quarta-feira, 26/08/26

MPDFT cobra ajustes para enfrentar déficit na rede de urgência do DF

MPDFT cobra ajustes para enfrentar déficit na rede de urgência do DF
MPDFT cobra ajustes para enfrentar déficit na rede de urgência – Reprodução

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), requisitou nesta segunda-feira, 24 de agosto, à Secretaria de Saúde ajustes no plano de ação para enfrentar o déficit de profissionais de saúde e de leitos na rede de urgência e emergência do Distrito Federal.

A pasta tem 45 dias para apresentar a versão final do plano, que será encaminhado para homologação judicial. O planejamento deve reunir medidas de curto e médio prazos, com definição de metas, indicadores, prazos, responsáveis, riscos, impacto orçamentário e formas de comprovação dos resultados.

O ofício também pede um diagnóstico específico sobre o funcionamento da porta de clínica médica do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), diante da superlotação recorrente do serviço. Segundo a Prosus, a insuficiência de leitos de retaguarda compromete o funcionamento de toda a rede e contribui para a superlotação dos prontos-socorros e das unidades de pronto atendimento (UPAs).

A promotora de justiça Hiza Carpina afirmou que, como consequência, pacientes podem percorrer diferentes unidades em busca do atendimento ou da internação de que necessitam, e que a situação afeta especialmente aqueles cujo quadro clínico se agrava enquanto aguardam atendimento ou transferência. Ela também destacou casos de pacientes graves que permanecem internados em prontos-socorros e UPAs, sem acesso, no momento adequado, à assistência e à retaguarda hospitalar necessárias.

As medidas fazem parte da ação civil pública ajuizada pela Prosus em 2024, que trata do colapso da rede pública de urgência e emergência do Distrito Federal. O processo discute especialmente a escassez de recursos humanos e o déficit de leitos de retaguarda hospitalar nas áreas de pediatria e clínica médica.

A iniciativa ocorreu após reunião realizada em 20 de agosto entre o MPDFT, a Secretaria de Saúde, a Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), para discutir o plano de ação preliminar apresentado pela pasta.

Na reunião, a Secretaria de Saúde apresentou ações de curto prazo voltadas à ampliação da eficiência no uso dos leitos existentes. A pasta reconheceu o déficit de profissionais e de leitos, mas também apontou a necessidade de aperfeiçoar a gestão da estrutura disponível e a aplicação dos recursos públicos.

O MPDFT questionou a metodologia usada para calcular a taxa de ocupação dos hospitais e cobrou maior transparência sobre a situação dos leitos disponíveis, vagos, bloqueados, reservados e temporários. Também apontou problemas verificados em inspeções hospitalares, como a coexistência de portas de emergência superlotadas e leitos vagos em enfermarias, muitas vezes por falta ou distribuição inadequada de profissionais.

Para a Promotoria, o déficit de leitos e de profissionais tem natureza estrutural e multifatorial. Entre os fatores citados estão a indisponibilidade de leitos já existentes, a insuficiência e a má distribuição da força de trabalho, o absenteísmo, fragilidades na infraestrutura, dificuldades relacionadas ao transporte e à assistência dialítica, a permanência prolongada de pacientes e falhas na integração entre os serviços de emergência e as enfermarias.

Com informações do MPDFT

T LB

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