Sábado, 18/07/26

MPF pede suspensão do programa Tolerância Zero nas praias do Rio

MPF pede suspensão do programa Tolerância Zero nas praias do Rio
MPF pede suspensão do programa Tolerância Zero nas praias do – Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou na Justiça Federal com uma ação civil pública para suspender os efeitos do programa Tolerância Zero, criado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para disciplinar o comércio ambulante nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, na zona sul da cidade.

Na ação, o MPF pede que a União e o município elaborem um planejamento para a gestão das praias, capaz de conciliar o ordenamento urbano, o enfrentamento ao crime organizado e a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores ambulantes. O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, afirma que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização das praias sem observar as normas federais que disciplinam a gestão desses espaços.

Segundo o MPF, o programa foi criado sem diálogo com a União, titular das praias, sem participação da sociedade e sem medidas voltadas aos trabalhadores que dependem do comércio ambulante para sobreviver. O documento destaca ainda que o município não convocou o Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP) nem elaborou o Plano de Gestão Integrada previsto no Projeto Orla, considerados essenciais para esse tipo de intervenção.

A procuradoria argumenta que, embora o enfrentamento ao crime organizado e o combate à exploração ilegal do espaço público sejam necessários, esses objetivos não autorizam medidas que atinjam indistintamente trabalhadores que exercem atividade lícita. Na petição, Julio Araujo sustenta ainda que o programa prevê ações amplas de apreensão de mercadorias e restrição ao comércio ambulante sem que o município tenha implementado políticas públicas de regularização para a categoria.

O MPF afirma também que o resultado é a imposição de restrições severas ao direito ao trabalho sobre uma população formada, em grande parte, por pessoas negras, migrantes, refugiadas e trabalhadores em situação de vulnerabilidade social, que dependem dessa atividade para garantir sua subsistência. O órgão diz que o combate ao crime deve ser direcionado aos responsáveis pelas atividades ilícitas, e não usado para justificar restrições generalizadas ao exercício de uma atividade profissional reconhecida pela legislação.

O programa Tolerância Zero teve início na manhã de quinta-feira (16), com a apreensão de mercadorias e revolta dos ambulantes, que realizaram uma manifestação na orla de Copacabana, estendida até o Leme, em frente ao Copacabana Palace. O objetivo da operação é combater a exploração ilegal do espaço público pelo crime organizado.

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que vender produto de origem ilegal ou alugar equipamento com origem criminosa é crime e que, a partir do início da operação, não haveria tolerância para ocupação ilegal desses espaços. Segundo a prefeitura, 320 homens da Guarda Municipal, com apoio da Polícia Militar, foram divididos em dois turnos para o patrulhamento da orla da zona sul.

A administração municipal informou ainda que o programa será baseado na ocupação territorial contínua, no patrulhamento ostensivo e na fiscalização integrada, com uso de tecnologias de monitoramento. De acordo com a prefeitura, somando Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, já foram identificados mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente.

T LB

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