Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por Esther Santos e Nathaly Ferreira
Entrar no mundo da tecnologia pode significar enfrentar uma sala de aula majoritariamente masculina, descobrir uma nova profissão no meio do caminho ou transformar uma ideia de faculdade em um projeto que alcança milhares de pessoas. Um caminho é por editais de contratação em empresas públicas e privadas.
Essas são experiências em comum compartilhadas por mulheres no Distrito Federal. Em painel realizado no Centro Universitário de Brasília (Ceub), estudantes e profissionais discutiram os desafios e as oportunidades para mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
De acordo com a Unesco, apenas 17 dos 589 Prêmios Nobel nessas áreas foram concedidos a mulheres. Nesse mesmo contexto, somente 35% das matrículas na educação superior são mulheres.
Elas defendem que, nesse cenário, quebrar preconceitos e dar destaque para exemplos de profissionais que conquistaram seu espaço são passos importantes para incentivar novas gerações.
As histórias contadas no evento mostraram que não existe uma única maneira de chegar à tecnologia: a vontade de aprender, a coragem para tentar o novo e a colaboração também podem definir esses caminhos.
A jornada para o mundo da tecnologia nem sempre é reta e planejada, como no caso da estudante Bruna Martins, de 22 anos.
Depois de passar pelo curso de Relações Internacionais, ela percebeu que sua verdadeira paixão era a engenharia e acabou chegando à área de ciência da computação.
Logo no início, o choque foi maior ao perceber que a turma era formada majoritariamente por homens, mas ela não se deixou intimidar e foi se enturmando aos poucos.
Bruna também lembrou que não é preciso ter medo de errar, pois, na área de tecnologia, os erros fazem parte do aprendizado. “O bom da da computação, é que ela vai te dar uma mensagem de erro e isso é incrível, porque você sabe onde está errando”.
Para ela, ver outras mulheres conquistando seu espaço é uma grande injeção de ânimo para continuar: “Você vendo mulheres subindo, progredindo, você fala ‘é isso, eu quero ser isso’”.
Riscos digitais
A história da psicóloga e comunicadora Sarah Tuyani mostra que é possível misturar áreas bem diferentes para criar algo novo. Ela encontrou na tecnologia uma forma de entender melhor o comportamento das pessoas na internet e os riscos digitais.
“Na psicologia, eu encontrei um caminho para a tecnologia. A minha trajetória é essa, e ela não é linear, ela não é padrão”.
O interesse pela área cresceu quando participou de um projeto de tecnologia do Google na faculdade, o que a levou a pesquisar fraudes na Black Friday usando dados disponíveis na internet.
O percurso de Sarah mostra que a tecnologia não é apenas um fim, mas também uma ferramenta que pode ser aplicada em diferentes profissões.
Caminhos
A trajetória de Clarice Nunes também mostra como a curiosidade e a busca por novas experiências podem abrir caminhos na tecnologia. Ainda no primeiro semestre da faculdade, ela começou a desenvolver projetos por conta própria e a buscar professores e pessoas que pudessem ajudá-la.
Foi assim que recebeu o convite para uma iniciação científica e criou a VIVI, plataforma que conecta voluntários a instituições e oportunidades de voluntariado em Brasília.
O projeto já reúne quase três mil pessoas e utiliza tecnologia para aproximar as habilidades e disponibilidades dos voluntários das necessidades das instituições.
Para Clarice, mais importante do que ter tudo planejado é estar aberta para descobrir o próprio caminho: “Você pode descobrir o seu caminho enquanto você caminha”.
Além das trajetórias apresentadas, a professora Kadija Valéria destacou a importância de aproximar os estudantes da pesquisa e mostrar que a graduação pode ser o primeiro passo para uma trajetória acadêmica e profissional.
Ao apresentar as possibilidades de iniciação científica, ela reforçou que o papel dos professores também é ajudar os alunos a encontrar caminhos e transformar interesses em projetos. Para ela, a pesquisa pode abrir portas para novas experiências, como o mestrado e o doutorado.
A profissional também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres nessas áreas. Segundo ela, os estereótipos de gênero começam ainda no processo de socialização e podem aparecer na família, na escola e no ambiente profissional, influenciando a percepção das meninas sobre suas próprias capacidades.
Por isso, ela defendeu a educação como uma ferramenta para transformar essa realidade e destacou a importância de criar oportunidades para que mais meninas e mulheres conheçam e ocupem esses espaços.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira








